sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Sentimento Intruso


De repente, uma agonia,
Um desassossego na vida da gente.
Um medo de perder o que é seu,
Se não, o que deveria ter sido.
Um pulo no escuro, no abismo existencial,
Mas, cuja falta, a existência vazia,
Não teria graça, perderia o sentido.

Uma angustia gratificante,
Uma confusão de sentidos ambíguos,
Paradoxais e desconcertantes.
A gente gosta e se tortura,
Gosta além, até de quem
Não gosta da gente,
Não ama a gente
Do jeito que a gente ama.

Uma sensação inexplicável,
Um contra-senso, um contra ponto.
Que nos incendeia a alma e acalma,
Arde e afaga, morde e alisa.

É brisa, é tempestade; é cedo, é tarde.
É uma confusão, uma excitação no ser.
Mas cuja falta, tornaria a vida sem graça,
Sem razão de ser.
Seria uma monotonia, um deserto,
Um viver por viver,
Um caminhar bisonho,
Um adormecer sem sonho.

Fábio Murilo, 28.02.2014

Soneto de Fidelidade

domingo, 20 de abril de 2014

Gênesis


Um Cristo? Um brilho?
Simplesmente filho.
Um ser vivente,
Milagrosamente gente.
Um feto, um fato,
Silencioso no espaço,
Na espera paciente
Dos nove(s)-fora gente.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

À Flor da Idade


Que a vida não seja, apenas,
Uma sucessão de dias.
O tedioso comodismo
Dos oscilam
Ao sabor das circunstâncias,
Dos que se foram
Antes do fim.
Quero o prazer extremo,
O desejo até as últimas consequências,
Uma dose cavalar de estímulos.
A fome insone dos insaciáveis
E a ousadia dos que inventam
E reinventam a vida
Em caleidoscópio.

Fábio Murilo

El Empleo. Vencedor Do Festival De Berlim

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Matutando


Talvez eu quisesse apenas 
Ter os dedos calejados e rudes,
Pela faina diária no trato da terra
Em algum lugar distante.

Ignorante de toda ciência...
Sem ao menos um rádio de pilha;
Da cidade muitas milhas.

Ouvindo só o mungido do gado;
Dormir acalentado 
Pelo coaxar dos sapos 

Sob as luzes dos pirilampos.
Acordar com o canto dos galos
Anunciando a alvorada
De canto a canto.

Como um bicho brabo no cercado
Olhar conformado o limitado espaço
Sem susto, nem espanto.
Como que anestesiado, viver recatado,
Na monotonia do meu recanto.

Fábio Murilo, 12.09.2002

Sociedade dos Poetas Mortos - Cena Sublime.