sexta-feira, 17 de março de 2017

Aos que Nunca se Permitem


Alguns não tem sol, nem sal,
Cheios dos nexos, excessivo tino.
Espécie sem sumo, formal, formol.
Poste, lodo, o tempo todo rodovia
Margeada de verdejante monotonia.
Sem uma parada no acostamento,
Um desvio, uma descida, um atalho.
Uma pausa pra um refrigerante.

Reprisados, represados, sonolentos,
Que de olha-los também dormimos.
Seres apagados, que não ardem,
Sem alarde, fio de voz, nem animo.
Que não variam de vez em quando
E envelhecem o tempo inteiro.
Que não saem do contexto,
Seguem uns textos decorados,
Atores com seus bolores, odores,
A eles mesmos representados.

Sem luzes nos cabelos, no corpo inteiro,
 Uns gelo, amenos, somenos, ao menos, jamais!
Rosas sem perfume, artificiais.

Fábio Murilo, 18.03.2017

sábado, 11 de março de 2017

Preciosa


Você acalenta meu coração,
Prevê, provê minhas necessidades.
Você sabe, como se aqui estivesse.
Tivesse o dom da premonição.
Como um raio de luz caindo do teto,
Na percepção de um menino absorto,
Brincando com o reflexo no chão,
Nunca esperar é tarde, é fascinação.

E eu que a quero tanto, espero, mesmo
Que agora em pleno verão, o sol a pino,
Passe a apresentar eclipses totais.
E na confusão de noites de uma hora
Pra outra sentido-me só, embora,
As noites, durem pouco, demoram mais
Pra quem, além de você, não tem outra
E não em outras o que apraz.

Fábio Murilo, 11.03.2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Notável


Que artífice te construiu.
Fazendo da água uma fonte,
Sobre o rio uma ponte, e onde
Nada se viu, pressentiu.

Que artesão te erigiu.
Que pôs a mão no barro,
Manuseou, e deu forma
E habilmente te poliu.

E que pintor te eternizou
Num quadro, e abismado
A obra prima viu, e outras
Não mais pintou, realizado.

Qual um tapete persa,
Ricamente detalhado,
Que por mais que se olhe,
Sempre se descobre algo.

Fábio Murilo, 02.03.2017