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domingo, 15 de abril de 2018

A Ausente


Você não é menos interessante
Por estar ausente,
Decerto fiquei incompleto,
Repleto de ausência.

Restou um vazio, um vácuo, um rapto.
Restou a essência, a prudência
De esperar, dar um tempo,
Já que em teu lugar
 Não há outro contentamento.

Fábio Murilo, 15.04.2018

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Os Apagados


Os sem graça fazem uma força danada
Um esboço, um esforço, uma farsa,
Nos seus risos forçado pra agradar.
Um mar sem onda, nem sal, sem nada.
Sem a tradicional cor azulada, da água.
Um rio qualquer, um riacho sombrio, um fio.
Chuva de verão querendo alagar.

Uma paródia, caricatura de si próprios.
Vivem a representar e nem se tocam.
Sem noção, confiantes que tão abafando.
Contando piadas sem graça, sem jeito,
Forçando a barra, sendo o que não são.
E ainda encontram malvados que os aplaudam
 Só pra não deixá-los sem jeito, sem graça,
 No vácuo, acreditando que são os caras.

Em vez de interessantes, são irritantes,
Desengonçados, sem jeito, aguados.
Teria mais proveito se fossem eles mesmos
Ganhariam mais, ao se convencerem
Que todo mundo tem o que oferecer.
Todos têm uma particularidade, um charme.
Um trejeito, algo nele pra ser admirado,
Um encantamento que não havia notado.
 
Fábio Murilo, 01.04.2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Charme


Onde está teu charme?
Nos rostos opacos,
Sem representatividade.
Nos olhos baços, rasos.
Nas coisas repetidas.

Onde está o perfume
Derramado dos frascos.
O lume, o cardume
De peixes ornamentais.
A diferença, o algo mais.

Nas horas sem surpresas,
A comida sem sobremesa.
A sexta tão esperada,
A cesta, a alma da festa.

Fábio Murilo, 08.02.2018

domingo, 14 de janeiro de 2018

Impressionante


A minha impressão é a melhor possível,
Imprevisível e surpreendente criatura.
Jurar conhecê-la e sempre descobrir
Algo novo, nunca concluído, a ser dito.

Pensar saber tudo, mais adiante, constatar
Que ainda sei pouco, muito a ser percebido.
Caminhar novas trilhas, becos, saídas, vilas,
Rodovias, avenidas, atalhos, caminhos, milhas,
Terreno ermo, baldio, pais novo, eu estrangeiro
Como se nunca tivesse conhecido, sabido,
Incerto, embora, percorrido longo trajeto.

(Fábio Murilo, 13.01.2018)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Escolhida


Eu não preciso de mais ninguém, convicto,
Eu tenho você que só tem a ver comigo.
Mais ninguém eu persigo, já encontrei.
Abri a porta certa, estacionei, ancorei.
Todas as certezas me dizem, todas as raízes,
Todos os sóis, faróis, sinais, placas, avisos,
Indicam os risos que até agora não tive,
Todo o alivio de horas infelizes que caminhei
Sob sol inclemente a vagar, descontente
De tudo e todos, de pessoas vazias, comuns,
Que gentilmente me ofereciam só o esboço
Do que, agora, sem esforço, naturalmente me dá.

Fábio Murilo, 15.12.2017