“É um fenômeno curioso: O pais ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.
Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados”. Miguel Torga.
sábado, 30 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO
Senhor! Fazei de mim um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Tradução de Manuel Bandeira.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Tradução de Manuel Bandeira.
sábado, 2 de junho de 2012
COLETIVO SUBURBANO
Nos ônibus, meus companheiros
São menos complicados: pensam
No almoço simples, nas mulheres,
No futebol e no chuveiro.
Eu, o suspeito; eu, a exceção
Dentro do carro, nessa linha:
Estou perdido, estou sozinho
E completamente perdido.
Bocejo na poltrona e só
Duas vezes me descortino
Diante da amada que, franzina,
Desconfia de meus propósitos.
Somente na minha janela,
No vidro fosco, transparecem
Garras de fumaça e de medo
Que fumegam no vale em viagem.
Ao menos lá no terminal
Deste ônibus existe Deus?
Impossível que não exista
E que existindo me abandone.
Alberto da Cunha Melo
São menos complicados: pensam
No almoço simples, nas mulheres,
No futebol e no chuveiro.
Eu, o suspeito; eu, a exceção
Dentro do carro, nessa linha:
Estou perdido, estou sozinho
E completamente perdido.
Bocejo na poltrona e só
Duas vezes me descortino
Diante da amada que, franzina,
Desconfia de meus propósitos.
Somente na minha janela,
No vidro fosco, transparecem
Garras de fumaça e de medo
Que fumegam no vale em viagem.
Ao menos lá no terminal
Deste ônibus existe Deus?
Impossível que não exista
E que existindo me abandone.
Alberto da Cunha Melo
HEBDOMADÁRIO
Todos sem Deus, na expectativa
De que nossa felicidade
Virá na próxima semana,
Talvez no próximo navio.
Mas não ousamos anular
O meio século de vida
Que foi, de sete em sete dias,
Inocentes, nos devorando.
A sombra de algum edifício
Escureceu os nossos rostos
E o monstro do quotidiano
Nos cerca nas esquinas tristes.
Aos domingos tão esperados,
Estendemos o nosso sono
Além do tempo habitual
E despertamos muito tarde.
Tão tarde que todas as moças
Livres já estão no mar,
Tão tarde que a segunda-feira
Amarga já é pressentida.
Alberto da Cunha Melo
De que nossa felicidade
Virá na próxima semana,
Talvez no próximo navio.
Mas não ousamos anular
O meio século de vida
Que foi, de sete em sete dias,
Inocentes, nos devorando.
A sombra de algum edifício
Escureceu os nossos rostos
E o monstro do quotidiano
Nos cerca nas esquinas tristes.
Aos domingos tão esperados,
Estendemos o nosso sono
Além do tempo habitual
E despertamos muito tarde.
Tão tarde que todas as moças
Livres já estão no mar,
Tão tarde que a segunda-feira
Amarga já é pressentida.
Alberto da Cunha Melo
sexta-feira, 18 de maio de 2012
OBRA COLETIVA
Há um amor
Que se transforma em constelação
E se banha refletido
Nas águas da ilha imaginária
E tudo está no livro.
Há uma vida
Que constrói em ternura
Embora se conheça
O rio de sangue
Onde navegam o terror e a injustiça
E tudo está no livro.
Há um sonho
Que se quer preso à memória
Com medo que ele se desfaça
Ou se complete
E tudo está no livro.
No livro que escrevemos dia a dia
Com as mãos solidárias dos que
Acreditam.
José Mário Rodrigues
AOS MESTRES COM DESRESPEITO
Dizem que meu povo
É alegre é pacifico.
Eu digo que meu povo
É uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
Aprendeu com as argilas
E os bons senhores de engenho
A conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
Deve ser respeitado.
Como qualquer ânsia desconhecida
Da natureza.
Dizem que meu povo
Não sabe escovar-se.
Nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
É uma pedra inflamada
Rolando e crescendo
Do interior para o mar.
Alberto da Cunha Melo
Alberto da Cunha Melo
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