sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Poesia é Necessária

Título de uma antiga seção do velho Braga na Manchete. Pois eu vou mais longe do que ele. Eu acho que todos deveriam fazer versos. Ainda que saiam maus. E preferível, para a alma humana fazer maus versos a não fazer nenhum. O exercício da arte poética é sempre um esforço de auto-superação e assim, o refinamento do estilo acaba trazendo a melhoria da alma.
E mesmo para os simples leitores de poema, que são todos eles uns poetas inéditos, a poesia é a única novidade possível. Pois tudo já está nas enciclopédias, e só repetem estupidamente, como robôs, o que lhes incutido.  Ah, mas um poema. Um poema é outra coisa...

Mário Quintana








“Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor… é para isso que vivemos!”

Sociedade dos Poetas Mortos 



Rosa de Hiroshima-Ney Matogrosso/Vinícius de Moraes

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
mudas, telepáticas.
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas.
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.


Vinícius de Moraes

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Poema Enjoadinho de Vinicius de Moraes - 1990

Poema Enjoadinho

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes

O AMOR: Música de Caetano Veloso (inspirada em um poema de Vladimir Maiakovski ), interpretada por Gal Costa.