sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Teológico

Professo a religião
Dos que arregaçam as mangas,
Dos que não abandonaram o barco.
Dos que constroem no hoje
As bem bem-aventuranças do amanhã.
Meu credo é dos que se solidarizam
À cotidiana aflição do povo
E dividem como o irmão
“o pão que o diabo amassou”;
Dos que não se prostram, acomodados,
À margem da estrada,
E não fazem de Deus seu burro de carga.

Fábio Murilo, 23.04.91

A Casa de Pequenos Cubinhos

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Poema da Ternura Culpada

Desculpe o tédio que se acumula;
O lodo abissal que se enrama;
A ilusão, errônea, de quem ama
E tanto confia na chama,
Cada vez mais branda,
Na cama de todo dia...
A candura que não perdura;
O hábito que criou mau hálito;
O príncipe que virou sapo,
A cinderela que perdeu o encanto,
O conto de fada, que agora enfada.

Fábio Murilo, 29.10.97

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jaz a Paz

A paz às vezes é uma coisa pastosa,
Que engrossa cada vez mais.
Tanto sossego, às vezes, dá medo.
Até os mortos descansam em paz.
Vai entender... Às vezes o perigo
Nos torna mais vivos,
Nos sacode a poeira
De cotidiana pasmaceira.
Paz de mais mata de tédio,
Tira o gosto da vida.
Tira tanto quanto os desgostos
Que antes desgostavam a vida.

Fábio Murilo, 02.05.2010






Apresentação Soneto de Fidelidade em Libras