sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Inocente Útil

Não esperemos muita coisa da vida. 
Sejamos apenas uma flor
Atrás de uma pedra,
Numa estrada qualquer
Do interior.
Sejamos como aquele inseto
Cuja gloria e ter
Algumas horas de vida.
Como crianças inocentes
Que não se interrogam,
Nem rogam aos céus,
Pois tem como céu essa vida.

Fábio Murilo, 22.07.2012

Carlos Vereza recita Drummond - A Flor e a Náusea

Carlos Vereza recita Drummond - A Flor e a Náusea from Glauco Fox on Vimeo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Divagações Sobre um Dia de Chuva

Nesse domingo cinza e molhado,
Que deveria ser azul, civilizado.
Sem essas nuvens chumbo.

Mas essas nuvens também são do mundo,
Chumbo também é uma cor,
Cor de quem olha a existência
Com discrição e sem apego.
E parece não ter medo...

Prá esses, o frio não faz mal ao espírito,
E não incomoda o estar só.
Pois trazem, dentro de si, o próprio sol,
Um sol particular.

Fábio Murilo, 20.02.2011

O Sonho de um Homem Ridículo, Curta baseado na obra de Dostoiévsky

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Teológico

Professo a religião
Dos que arregaçam as mangas,
Dos que não abandonaram o barco.
Dos que constroem no hoje
As bem bem-aventuranças do amanhã.
Meu credo é dos que se solidarizam
À cotidiana aflição do povo
E dividem como o irmão
“o pão que o diabo amassou”;
Dos que não se prostram, acomodados,
À margem da estrada,
E não fazem de Deus seu burro de carga.

Fábio Murilo, 23.04.91

A Casa de Pequenos Cubinhos

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Poema da Ternura Culpada

Desculpe o tédio que se acumula;
O lodo abissal que se enrama;
A ilusão, errônea, de quem ama
E tanto confia na chama,
Cada vez mais branda,
Na cama de todo dia...
A candura que não perdura;
O hábito que criou mau hálito;
O príncipe que virou sapo,
A cinderela que perdeu o encanto,
O conto de fada, que agora enfada.

Fábio Murilo, 29.10.97