sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A Emoção

De repente uma bruma fantasmagoria
Encheu o ar de tons de rosa e sons de bolero.
E o velho se sentiu um menino,
Reduzido a ossos, agora a ócios de ilusão.
Desnudo no meio da praça,
Exposto a execração pudica,
Nem havia notado...

É estúpido, ele sabe
Seu coração é que não.
E quem o viu contente,
Rindo inadvertidamente pro mundo
E prá toda gente, docemente,
Como a zombar de suas dores,
Se achando incomodado,
Pegou-o e o pregou-o na cruz,
E deu seu coração aos urubus.

Fábio, 19.09.2013.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Imagem e Semelhança

A religião é o padrão,
O homem a diversidade,
O contraste, a contradição.
A inquietação que produz a ciência,
E conduz à evolução.
A diferença que provoca
O choque de opinião.
Que induz a divergência
Até dos que em nome de Jesus,
Se julgam à luz da razão.
O condicionamento de cada ser
Determinando o jeito,
Interferindo no poder de decisão.
Revelando a divina condição
Do que humano é feito.

O Homem que Plantava Arvores

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ao Homem Extremamente Prático

Rasgue essa máscara
E se emocione;
Esse hipócrita 
E ilógico disfarce.
Tombe seu ar de semideus,
Por sobre seu orgulho,
E se esfacele em mil pedaços.
Esse estúpido complexo
De homem de aço.

Fábio Murilo, 29.01.88

Ausência - Vinicius de Moraes

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Padronizado

Não vá pelos outros, vá pelos loucos,
Mesmo que não seja fácil...
Vá pelo torto prá ser mais exato.
Prá estar apto a viver
Nesse baile de máscaras.
A conviver nessa farsa.
Onde quem não se disfarça,
É excluído, é inibido, é recusado.
É podado como se fazem
As belas árvores,
Que trazem flores nos ramos
E frutos aos cachos.

Fábio Murilo, 28.06.2009