sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Passeio


Qual vento na tarde,
Brisa suave a soprar
Nos becos, ruas, bairros.
A deslizar nos carros,
Invadindo casas, edifícios, 
A pousar alegremente
Nos shopping centers
Feito um cisne branco,
Um lírio a brotar do chão.
Em meio a multidão
De perdulários clientes,
Tu, mais que cliente,
A chamar atenção
Feito os cinemas
E lojas e praças
De alimentação.

 Fábio Murilo, 13.10.2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cíclico


Você tem a medida perfeita da beleza,
Você é essa beleza a eclodir do âmago
Em telúricas evoluções vulcânicas.
Mesmo a tristeza não consegue apagar
Seu brilho de sol difuso em dias sombrios.
Mar onde deságuo, misturado rio,
A me tornar acrescentado, vaporoso,
E retornar chuvoso e voltar a ser rio.

Fábio Murilo, 09.10.2013

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Enquanto Espero o Ônibus...


Tem coisas que ocorrem quando menos se espera,
Se diz espera, sem contarmos com elas, ocorrem.
Fatos que se comportam como astuciosas raízes,
Misteriosos bordados confeccionados no etéreo.   
        
Expectativas atreladas a incertos prognósticos,
Que parecem óbvios, mas, frequentemente, traem.
Eventos inesperados nessa vida em hora distraída,
Que de repente, sem fazermos nada, na mão cai.

Fábio Murilo, 30.09.2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Do que Nunca sai de Moda


Princesa suburbana, dama ideal,
Diferenciada, sobressaída no caos.
Moça gentil, de bons modos,
Amazona guerreira, aguerrida.
Significativa entre anônimos 
 Vândalos hostis, vis plebeus.
Preservada na torre, Rapunzel.
Gata Borralheira circunstancial,
A qualquer hora, Cinderela.
Branca de neve dos trópicos,    
Morena em flor, bem brasileira.
A espera do príncipe encantado,
De um garbo e gentil cavalheiro.
Alguém que caiba nos seus sonhos,
Que a desperte, Bela Adormecida,
Nessa vida parecida pesadelo,
Nem sempre fácil, sofrida,
Com um beijo cinematográfico,
Desses de canções e novelas.

Fábio Murilo, 22.09.2015

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Lições dos Dias


Incrível como a vida se renova,
Como a rosa sucede outra rosa,
Nada está perdido, apenas reciclado.
Chora-se de tristeza, também alegria.
Suspira-se de dor, também de prazer.
O que importa é ser, acontecer.
É saber que a ferida cicatriza,
Mas a oportunidade perdida,
Ficará esquecida, frustrada.
E nada tá exposto nas prateleiras
De um supermercado, nada.
Nem tudo pode ser comprado,
Nem tudo nas mãos é dado.
A vida é um jogo de dados.

       Fábio Murilo, 18.09.2015