domingo, 17 de julho de 2016

O Anjo


Sou teu anjo da guarda,
Que não te larga,
Guardião da tua alegria,
Que o próprio riso daria.
Triste, se não só ri,
Tudo para que só ria.

Buscarei ¼ de estrelas
Pra enfeitar teu quarto.
Farei no quintal, ainda,
Uma piscina cristalina
E encherei de peixes
Coloridos que só,
Para o teu deleite.

Pra que a noite seja dia,
Pra que haja sol onde chovia,
Pra que agora sorria.

Fábio Murilo, 17.07.2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A Escolhida


Mesmo não estando aqui eu te possuo, 
Intuo na ansiedade, na ausência sentida.

Mesmo não estando comigo, ainda és minha,
Nessa ausência invertida, que só reafirma.

Na razão oposta a realidade faço planos
De não ser apenas um, sermos ambos.

Que nada mais importa que aconteça,
Quando não se comporta de tanta certeza.

Fábio Murilo, 04.07.2016

sábado, 2 de julho de 2016

Um Dia Após o Outro


Penso nos jovens que se foram cedo,
Flor entreaberta ainda, quase um botão.
Reflito no ancião, nas dobras da pele, rugas,
Na ausência total de fugas do corpo, prisão.
Antevejo os dias que virão, não vejo.
Inutilidades de horas a contar o tempo,
Ilusão de comando, inútil pretensão.
  

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Do Que Ainda



Doce é o sabor da fruta
Colhida no pé,
Na plenitude da estação;
A deslumbrante visão
Da altitude inexplorada
De uma montanha gelada;
A água cristalina,
Que corra ainda,
Na mata inexplorada;
A vida, enquanto intacta,
Sem as marcas da decepção;
A forma despojada
E cheia de ilusão
Da menina que ainda
Não se fez moça,
Da moça que ainda
Não se desfez da menina.
  
Fábio Murilo, 31.10.2001

sábado, 18 de junho de 2016

Contrassenso


Tenhamos vaidade
Enquanto é tempo,
Da cidade dos mortos
Ninguém terá saudade.

Vejo zumbis, mortos vivos...
Gente que pensa que existe,
Só porque está vivo.

Pensar... Pensar dói!
Pensar no alto preço que pagamos
Toda vez que respiramos,
No debito que acumulamos
A cada riso.

Melhor é não ter siso,
Ignorar para continuar vivo.
  
Fábio Murilo, 30.04.2013