sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Surreal


As horas que passamos juntos, a cumplicidade, não existe igual nesse mundo.
Você é aquele presente que desejávamos, mas não imaginávamos ganhar, por ser tão valioso. No entanto, chegaste inesperadamente como chuva alegrando o sertão. Regando a terra, que antes era seca, fazendo a semente florescer.

Quem diria, que você um dia ia chegar chegando, sem pedir licença, marcar hora, agendar, simplesmente entrando em minha vida, porta adentro. Diferente de tudo que já conhecia, imaginava, poderia supor, como se já morasse há anos dentro do meu coração, tal completa sintonia e imediata empatia.

Como um anjo, você veio para me iluminar, proteger, sorrir comigo...
Afável, amável, notável, improvável, sem igual, companhia ideal.
  
Parceria poética: Nanda Olliveh/ Fábio Murilo

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Encantamento


Minha paixão é um lírio perfumado,
Te cobre de cuidados, quer sempre a mão.
Involuntária e varia, é uma expressão.
Uma consequência, também inconsequência.
Sem juízo, sem noção, sem senão.
Se derrama, emana feito larva de vulcão.

É estúpida, eu sei, pro coração é que não.
"São seus olhos", me dizes,
Olhos que fincaram raízes,
Em teu solo, que passaram a olhar
Com outros olhos em tua direção.
  
Fábio Murilo, 30.05.2018

domingo, 15 de abril de 2018

A Ausente


Você não é menos interessante
Por estar ausente,
Decerto fiquei incompleto,
Repleto de ausência.

Restou um vazio, um vácuo, um rapto.
Restou a essência, a prudência
De esperar, dar um tempo,
Já que em teu lugar
 Não há outro contentamento.

Fábio Murilo, 15.04.2018

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Os Apagados


Os sem graça fazem uma força danada
Um esboço, um esforço, uma farsa,
Nos seus risos forçado pra agradar.
Um mar sem onda, nem sal, sem nada.
Sem a tradicional cor azulada, da água.
Um rio qualquer, um riacho sombrio, um fio.
Chuva de verão querendo alagar.

Uma paródia, caricatura de si próprios.
Vivem a representar e nem se tocam.
Sem noção, confiantes que tão abafando.
Contando piadas sem graça, sem jeito,
Forçando a barra, sendo o que não são.
E ainda encontram malvados que os aplaudam
 Só pra não deixá-los sem jeito, sem graça,
 No vácuo, acreditando que são os caras.

Em vez de interessantes, são irritantes,
Desengonçados, sem jeito, aguados.
Teria mais proveito se fossem eles mesmos
Ganhariam mais, ao se convencerem
Que todo mundo tem o que oferecer.
Todos têm uma particularidade, um charme.
Um trejeito, algo nele pra ser admirado,
Um encantamento que não havia notado.
 
Fábio Murilo, 01.04.2018