quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

 

 

Há beleza sem charme, tipo pintura fosca, aquela coisa chocha que nem fede nem cheira. Aquela coisa apagada, sem brilho, tipo água estagnada. O mesmo riso que não muda não dá uma risada pra variar. O mesmo ar gótico, educado, comedido, como rindo a pulso, representando, pousando para um quadro, sorriso engessado. Sem naturalidade alguma, nenhuma expressividade, a boca de um jeito e o resto do rosto de outro. Não se permitindo rindo a toa, uma risada boa de canto a canto, os dentes no quarador como dizia meu avô.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Casas com varanda que não servem pra nada, mal projetadas, olhando pra onde? Pra parede da casa da frente, pra rua sem movimento. Um desalento, um tédio ficar sentado. Se ao menos fosse num prédio lá em cima, olhando o horizonte, as luzes da cidade grande, dos bairros distantes. Não dá pra nem ao menos pra ver a lua, que nasce por trás em vez de ser na frente. Nada de interessante, olhar o que? É melhor ver TV mesmo dentro de casa do que ficar na sacada. Nem dá pra fazer um churrasco, é um fiasco, a tarde o sol bate de frente. É uma varanda de faz de conta, só pra dizer que consta.

(Fábio Murilo, 29.12.2025)