sexta-feira, 11 de julho de 2014

Arranje Tempo para o Amor!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Do Transitório


Receio que serei esquecido
Como os galhos ressequidos
De uma arvore qualquer,
Como os trilhos antigos
De um trem enferrujado,
Como tudo que agora
Será passado, perdido.
Como o que perdeu o encanto
E restou num canto, abandonado.
Como quem passou da validade,
E deixou de ter utilidade.
Como a estrela ofuscada
Pelo brilho maior do sol.
Como tudo que agora será nada
E sonhou em ser eternidade.

Fábio Murilo, 04.07.2014

O Vento, Joana Tiemann.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Conectados


Por um milagre da tecnologia
Você vem todo dia, anjo.
Seu sorriso é meu sorriso,
Seu choro é meu choro,
Somos leais, reais amigos.
Nessa solidão urbana,
De um lugar qualquer,
Quando não sou eu,
É você quem chama.

E não há coisa mais autêntica,
Não há maior confiança,
Maior ato de fé, não há.
Que a de dois seres
Que mesmo sem se verem,
No anônimo aconchego
De seus longínquos lares,
Agirem, interagirem,
Fazerem acontecer...
Tornarem-se íntimos de fato
Sem precisar conviver.

Fábio Murilo, 25.06.2014 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Motivação


Ajuda-me a fazer um poema feliz.
O poema é quem diz
E nada a gente diz ao poema.
Um poema tem raízes profundas,
É arvore fecunda e frondosa,
E tem rosas, mas antes é semente.
Para o desespero da gente
A gente sente, mas não manda.
Só espera paciente
A germinação dos versos
Libertos do chão.

Ajude-me a fazer um poema,
Dê-me a inspiração.

Fábio Murilo, 20.06.2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Afinidade


A gente é valsa,
Tudo que a gente faz se encaixa,
Parece um, de tão combinados.

A gente é inesperado,
Se prologando em reticências,
Adivinhados nas entrelinhas,
Um texto nunca terminado.

A gente é surpreendente,
Organizados em capítulos,
Algo sempre a ser dito.

Fábio Murilo, 10.06.2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Sal da Saldade


A saudade arde
Feito uma estrela tardia
E inalcançável.
Queima em vão
Em sua própria chama
E chama sem razão
Na ilusão que o outro
Tenha saudade
E também nos chama.

Fábio Murilo, 21.10.2013