Agora
carrego canários guardados em meu peito
Por
ai a fora, uma coisa sem jeito, mas, que me consola.
Vejo
estrelas do mar no céu, raro efeito, enfeito o breu.
Agora
sou o que devia ter sido a mais tempo, que entrou
Nesse
caminho sem volta, nesse abismo de rosas e gostou.
Agora
não tem mais jeito, sou um rio correndo pro mar,
Sou
o que ganhou asas e partiu sem querer voltar,
Que
largou o chão frio, a sensatez estéril, sem emoção.
Agora
não me contenho mais, não me atenho, a avançar.
Qual
jogador audacioso, que aposta tudo no jogo,
Ponho
a mão nesse fogo sem medo de me queimar.
Fábio
Murilo, 01.01.2015

