sexta-feira, 22 de maio de 2015

Poema da Lealdade


Ao que se gosta não se mede distância,
É uma ânsia apostar no incerto,
No desejo de estar sempre perto.

Mas, por outro lado, mais perto está,
Porque tudo faz lembrar.

Partindo, indo embora a toda hora,
Sem notar, sem sair do canto,
Um não sem jeito de ficar.

Num longe perto, legitimo afeto,
Esse de esquecer quem não está perto,
Querendo perto estar.

Fábio Murilo, 20.05.2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Espontaneidade



Tua integridade serve-me de estimulo,
Abrigo, quando o mundo me agride,
Regride a era do gelo, do homem rude,
Orquídea a beira do precipício.
Também “sou antigo”, fora de moda,
De cantar serenatas, oferecer rosas,
Se for preciso, minha princesa, rainha,
Minha daminha de outros tempos,
Sinhazinha de sombrinha e tudo.

Vejo bondade em teus olhos,
A pureza dos primeiros anos,
Como saída de um conto de fadas.
Teu sorriso se abre numa parábola
Ascendente que acende teu rosto,
Que estando triste, ainda incide,
Súbito arco-íris nas nuvens chumbo.
Tão inédita, quase impalpável,
Advinda não sei de onde.
Talvez de um livro inacabado,
Um texto abandonado, esquecido,
De tão incrível, tão improvável.
  
Fábio Murilo, 10.05.2015

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Da Relativa Opção


Não, você não foi um objeto.
Digamos... Uma bicicleta.
Onde eu considerasse a cor;
Ponderasse sobre a melhor marca;
Observasse a beleza e funcionalidade
De seu “design”, exercesse, enfim,
Meu direito de livre consumidor.

O amor, frequentemente é um réptil:
Esquivo, sorrateiro,
Estranhamente arrebatador.
  
Fábio Murilo

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Acontecimento


Você é a única novidade possível,
Uma demão de verniz invisível,
Um dia de domingo, feriado.

Eis-me aqui irreconhecível,
Como se nunca houvera estado,
Surpreendentemente vivo.

Sou o que se viu, de repente,
Acrescido, acrescentado,
Crescido em todos os lados,
Em todos os ângulos,
Atenções e cuidados.

Presenteado pela vida,
Mesmo sem ter pedido,
Feito algo, procurado.
Apenas amanhecido,
Num sonho realizado,
Que nem o próprio sonho
Havia sonhado.
 
Fábio Murilo, 01.05.2015