sábado, 29 de agosto de 2015

A Falta


Não nos juntemos tanto que nada mais aconteça,
Lava anteriormente se revolvendo. Abastecemo-nos
De incertezas, vez em quando, em doses homeopáticas
De ansiedade e solidão que é pra dar valor e falta
Ao que parecia seguro, conquistado, na mão.

Reconquistemo-nos, então. Guardemos sempre
O subterrâneo fogo que vento nenhum extingue.
Meio que queima, meio que apaga, acende
Embaixo do chão em permanente combustão.

Fábio Murilo, 27.08.2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Digo do Amor


Quisera o amor um belo edifício
Em frente ao mar, o ato de amar
Sem artifícios, nem complicação.
O amor... É inútil enquadra-lo
Num conjunto de regras, padrão,
        Amor assim degenera, vira prisão.        

Digo do amor enquanto paixão,
Mendigos que somos de afeto.
Amor sem paixão é morto,
Deserto, acomodação, torto.
Dura enquanto perdura o encanto,
Enquanto persiste o espanto,
A furiosa necessidade do outro.
  
Fábio Murilo, 19.08.2015

sábado, 15 de agosto de 2015

A Postos


Ficarei esperando a próxima chuva,
A próxima curva do caminho,
No meu posto plantado, soterrado,
Fiel soldado de Pompeia, irredutível.
Agora não é comigo é com o tempo
Que sabiamente concorre, escorre,
               Decide o rumo dos acontecimentos.              
               Apenas mantenho-me calmo,                
   Sábio, autêntico, convicto, resignado.
                Eu não desisto, confio, resisto.                
Aposto, a postos, quem sabe?
Fico esperando, até quando?
Indo, seguindo, florindo onde fores,
Confiando na volta dos beija-flores.
                 
                  Fábio Murilo, 15.02.2015                   

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O Gostar

Autor: Fábio Murilo

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O Gostar


Você tão perto, tão a mão...
Que eu quase toco seus cabelos,
Afago sua pele de sapoti.
Passa a existir o que me toca,
O que compele meu coração.          

É um fato que o abismo separa,
A estrada parece intransponível.
Mas, nada é impossível, definitivo,
Quando se tem boa vontade,
Quando o entusiasmo resiste,
E de oportunidade se vive.

Então, a distância é um mero acidente
Geográfico, vão obstáculo, não conta.
Quando a ansiedade não sabe fazer conta,
Nem é uma ciência exata a saudade.

Fábio Murilo, 04.08.2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Impressão


Existe uma estrada que une
Dois caminhos, um desvio.
Um rio que transborda antes,
De alguém passar.
Um lugar não determinado,
Um encontro inesperado,
Não combinado antes.
Um pretexto qualquer,
Um descuido, um tombo,
No exato instante.
Um motivo, acidente,
Engano, acaso, lapso,
Magnetismo, destino, sina...
Vai saber, sei lá.
Algo a conspirar, inspirar,
 Insinuar furtivamente,
Direcionando a gente
Ao que tem que ser e será.

                           Fábio Murilo, 05.07.2015