sexta-feira, 27 de junho de 2014

Conectados


Por um milagre da tecnologia
Você vem todo dia, anjo.
Seu sorriso é meu sorriso,
Seu choro é meu choro,
Somos leais, reais amigos.
Nessa solidão urbana,
De um lugar qualquer,
Quando não sou eu,
É você quem chama.

E não há coisa mais autêntica,
Não há maior confiança,
Maior ato de fé, não há.
Que a de dois seres
Que mesmo sem se verem,
No anônimo aconchego
De seus longínquos lares,
Agirem, interagirem,
Fazerem acontecer...
Tornarem-se íntimos de fato
Sem precisar conviver.

Fábio Murilo, 25.06.2014 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Motivação


Ajuda-me a fazer um poema feliz.
O poema é quem diz
E nada a gente diz ao poema.
Um poema tem raízes profundas,
É arvore fecunda e frondosa,
E tem rosas, mas antes é semente.
Para o desespero da gente
A gente sente, mas não manda.
Só espera paciente
A germinação dos versos
Libertos do chão.

Ajude-me a fazer um poema,
-me a inspiração.

Fábio Murilo, 20.06.2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Afinidade


A gente é valsa,
Tudo que a gente faz se encaixa,
Parece um, de tão combinados.

A gente é inesperado,
Se prologando em reticências,
Adivinhados nas entrelinhas,
Um texto nunca terminado.

A gente é surpreendente,
Organizados em capítulos,
Algo sempre a ser dito.

Fábio Murilo, 10.06.2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Sal da Saldade


A saudade arde
Feito uma estrela tardia
E inalcançável.
Queima em vão
Em sua própria chama
E chama sem razão
Na ilusão que o outro
Tenha saudade
E também nos chama.

Fábio Murilo, 21.10.2013

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Viagem


A realidade da vida
É a do carro acidentado
No telejornal matutino,
É a do cego do terminal
Por outros olhos guiados,
É a do sol lá fora desperdiçado
Por olhares distraídos,
De quem só olha
O próprio umbigo.

É a desses anônimos
Enfeitados até os dentes,
Lamina no embotamento...
No ônibus, vitrine
Em movimento.
Antítese do cobrador
 Educado, a dizer:
“– Bom Dia!
Apesar dos pesares,
Vale a pena viver!”

Fábio Murilo, 30.05.2014

Poema de Julien Green por Antônio Abujamra

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Na Realidade


A realidade é asfalto,
É chuva e sol inclemente.
Um rol de situações indiferentes
Alheios a nossa vontade.

E o sonho é  invenção humana,
Ração diária de ilusão.
Combustível da efêmera chama,
 Invenção da felicidade.

Fábio Murilo, 23.05.2014