sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Infinidades


Eu entendo sua calma,
Sua alma, sinto suas dores.
Temores, suas cores não usuais.
Compreendo demais.
Sonhos os mesmos sonhos.

Também sou composto,
Da mesma matéria de aflição
E ansiedade e inquietação,
Que lhe fustiga, vontades,
Insatisfação, razões e anseios.

Temos tanto um do outro,
Mulher que nem parece desse mundo,
Que não se contenta com tão pouco.

 Fábio Murilo, 07.11.2018

domingo, 4 de novembro de 2018

Elogio a Espontaneidade


Pessoas espontâneas são instantâneas,
São plenas, são elas mesmas, tão naturais.
Parecendo agora nascidas, como se
Inauguradas, jogadas, escondidas, caídas.
Jamais feridas, preservadas, ainda,
De mortal desencanto, pranto, desiludidas.

Riem alto, indiferentes as etiquetas aborrecidas.
Rainhas das surpresas, a pregar sustos.
Purinhas de coração, são o que são sem custo,
Crianças crescidas, adultos em extinção.

Fábio Murilo, 05.11.2018

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Graciosidade


Que graça é tu,
Garça, taça
De borbulhante
Champagne.

Sem esforço algum sorri,
Esboço de Salvador Dali,
Obra consagrada.

Estende os braços
Quais cisnes no lago.
Não anda, tu plana.

Avança que nem balsa,
Deslizando a flor d’água,
Nem parecendo que passa.

                                        Fábio Murilo, 24.08.2018

sábado, 25 de agosto de 2018

Das Conquistas


O submisso torna-se um vicio,
Uma gosma, um lodo, o tempo todo.
Um chiclete mastigado, sem gosto.

Perde o fascínio do novo, o viço,
O acostumado, o que finda.

O eventual, o ocasional, ainda,
O que estica é o que mais fica.
  
Fábio Murilo, 08.05.2018