domingo, 19 de fevereiro de 2017

Desmotivado


As coisas sem mais beleza alguma, corriqueiras,
A torneira, a toalha, o pedaço de pão, o chão...
São de uma objetividade extrema, sem opção.
Relés condição sem vida é o que as coisas são.

A lua brilha tanto quanto o talher na mesa, ou seja,
As estrelas, se eu não vê-las, não faz diferença,
As terei  outro dia, ou daqui a uma semana.
São estrelas apenas tanto aqui quanto no Japão,
Nada demais, sem particular significação.  

As horas perderam a gloria, o charme, a alegria,
A fantasia de quem as olha com empolgação e dura
Além dos relógios, dos calendários, dos horários.
E só tem agora, que pena, sua entediante função
De que, impacientemente, já não perco mais a noção.

Fábio Murilo, 19.02.2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Entendimeto


Você me dá o sonho e eu te elejo razão de viver,
Você me traz a água e eu te dou a sede.
Crede que é assim que eu te vejo, almejo.
Vede a vida sem ti não tem nenhum lampejo.
Vejo ninguém por perto, enfim, em mim,
A vida é só recomeço que se acaba em ti.

Aprendo de ti, como as flores aprendem do sol,
Compreendendo-o desde os ramos na fotossíntese.
E nos damos tão bem, como o ômega e o âmago.
Prendo-me a ti por um fio tênue, mas, tão resistente
Como linha que suspende o pescado aos anzóis.
Tu me compreendes como eu a mim mesmo.
E eu te compreendo com tu a ti mesmo.
Tão bem nos compreendemos nós.
  
(Fábio Murilo, 12.02.2017)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Gosto


É comum eu ficar na dúvida, normal. Mas, não tenho pressa de escolher, só vou na boa, não lembro de arrependimentos. Mas, também, frequentemente, decido logo de cara, bato o olho e pronto, é relativo. Como há dias atrás quando fui comprar um sapato pra trabalhar. Pedi logo o que tava no pé, que já venho comprando repetidas vezes, acho que já uma três vezes da mesma marca e modelo. A moça da loja de sapato me atendeu e disse, é de praxe: - Olhe esses... E eu, - Quero esse do pé. Ela pensou alto: “será que tem?" Procurou e até encontrou, só que branco, disse-me que ia solicitar de outra loja na terça feira estaria em mãos. Mas, não é que me agradei de outro muito parecido, idêntico, do tipo que nem precisa usar as mãos pra calçar, com os pés mesmo eu tiro e calço que nem sandália de tão confortável, bati o olho num sapatênis, posteriormente, nem tava pensando em comprar, esses cruzamentos de sapato social e tênis, bem bolado, pedi um par. Pedi também uma meia, tudo isso acontecendo num espaço de quatro metros quadrados a minha frente de prateleira, sentado numa cadeira. E só sei que ao pegar o ônibus pro shopping, descer, entrar, me dirigir a loja, escolher, pagar, levei ao todo 1 hora e voltei pra casa. Mesma coisa foi pra comprar os óculos de grau, fui numa rua conhecida por ter uma ótica junta da outra, tipo rua das óticas, aqui tem uma ruas assim, dos eletrodomésticos, de roupas de recém nascidos, etc. Pois bem, como ia dizendo, na primeira ótica, antes de entrar, da rua mesmo, bati o olho num óculos, parecendo para-brisa de carro esportivo, arredondado, abraçando a cara, design arrojado e já cheguei apontando, encostando o dedo na vitrine: Esse aqui! A atendente tudo bem, esse. Mas, ela disse, não quer com umas lentes foto-sensíveis? - Quero não, esse, assim mesmo. Com lentes anti-reflexo, pra diminuir a incidência da luminosidade da tela do computador, pra usar quando dirigir? Ela insistiu, - Não, repeti, esse aqui, com essas lentes mesmo. Temos aqui também com um liquido apropriado pra limpar as lentes, baratinho... (quer mulher insistente..) NÃO! ESSE AQUI! DO JEITO QUE TÁ! rs. Na hora de passar o cartão, outra novela, mas dessa vez a culpa foi minha mesmo, na hora de por a senha esqueci... Deve ter sido pelo estresse dela, acho que culpa dela também, rs. Tentei uma vez, duas... Na terceira liguei pra casa, não encontraram a senha que tinha guardada num lugar estratégico, ai a solicita vendedora disse: - Mas agora não tem mais limite, pode tentar mais de três vezes, dez, que não bloqueia. - Jura? - Juro. Tentei mais uma vez, nada, quarta vez... BLOQUEOU! A sujeita ficou com um riso amarelo. Poxa, voltar sem os óculos, perder a viagem... Ah, perco não! fui a um banco relativamente próximo, e o dinheiro que ia destinar a outra coisa tirei pra pagar a vista, iria dividir o valor dos óculos no cartão, mas... Lamentável! Eu tão organizado! Em casa liguei para administradora do cartão e só vim a receber outra senha 15 dias depois. Agora quero comprar um lustre, pra por na sala, faz meses, já fui varias vezes no Atacado dos Presentes, são tantos, mas, esse tempo todo, só me agradei de um até discreto, pequenino, hoje passei lá novamente ainda em falta, tem outros, mas, só gostei desse, procurei até aqui na net, quando cheguei, nada. É... Terei que escolher outro, é o jeito. Sei lá questão de gosto. Gosto é gosto. Comigo é oito ou oitenta, sem meio termos. Talvez precise rever esses meus conceitos, relaxar mais, ser mais flexível, não sei, rs.
  
Fábio Murilo, 04.02.2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

Coloquial


A conversa flui, qual rio subterrâneo,
Olhos d’água que escorrem e abaixo
Formam riachos, córregos, afluentes,
Rios perenes, cascatas, lagos.

Tem hora que evapora, vai embora,
Mas, noutra hora surge, nuvem
Carregada, água retornada, chove.

Até no silencio nos entendemos,
Água em outro estado, rio
Sereno, que desemboca
Muito além dos ar(recife)s,
Do que disse, fôra escutado,
No mar aberto do dialogo.

Fábio Murilo, 21.01.2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Razões


E o que é a vida, uma ilusão.
Ou um sem sentido no caos,
Uma nau pra lugar algum.

Ávido na sofreguidão dos sentidos
Do eu ambíguo de poeira e sal.
O que afinal que me prende,
Quem me compreende, motiva.
A ânsia de tua procura, razão 
E loucura, satisfação, bem estar.

O que mais que procuro, senão
O que em ti encontro e me encanto.
E se não encontro, desespero, quero.

E o que mais espero nessa vida
Essencialmente trágica, senão,
A mágica presença das estrelas,
Uma ilusão que seja pra me apegar.

No mais é só tédio, tristeza e solidão
Essa vida que só vale pela emoção.

Fábio Murilo, 10.01.2017