sexta-feira, 12 de maio de 2017

A Moça


Lembro de você das raízes, das cicatrizes,
Antes de ser uma estrela no firmamento.
Lembro de você surgida não sei de onde,
Como descida de um bonde de outros tempos,
Com esse jeito educado, de fino trato, tato.
Essas maneiras, essas sutilezas, atenções,
Intenções, gentilezas, modos de princesa.

Candura, encanto de criatura, doce e delicada,
Graça nos passos, compassos de valsa.
Meu verbo nunca retornando tão fácil,
As palavras que eu digo encontrando abrigo,
Lírios desabrochando em solo propício.
Advinda de uma fresta de telha, quem diria,
Que de um raio de sol faria um farol,
Quem estava só convidaria pra festa.
  
 Fábio Murilo, 11.05.2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Nuances e Meandros


A solidão agora não é tão sólida, como antes,
Não têm a casca de rinoceronte das horas.
Não é tão calcária, ardor assoprado.
Afago, mormaço, uma tênue sofreguidão,
Suportável, respingo de chuva, água morna,
Luva destinada, inexoravelmente, a mão.

E tua privação é uma ausência disfarçada,
Deslocada pelo bater das asas de um pássaro.
Quase companhia, diria, de fato e direito,
Um estar próximo sem precisar tá junto.
Estar  junto que muito acompanhado.
  
Fábio Murilo, 20.04.2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

Onipresente


Tua atenção é uma coisa física,
É uma coisa intensa, a mão.
Sempre em minha intenção.
É uma preocupação enorme,
Que me envolve, me comove.
Que me absorve e me aceita.
E em ti aposto todas as fichas,
Adoro de devoção, sem um senão.

Tua atenção é uma nuvem, aragem,
É uma brisa fresca num final de tarde.
Todo dia, toda noite, toda ausência.
É uma conquista, é um presente,
É um achado, é ampla, é chão,
É tanta consideração.

Fábio Murilo, 30.03.2017