terça-feira, 18 de setembro de 2018

Graciosidade


Que graça é tu,
Garça, taça
De borbulhante
Champagne.

Sem esforço algum sorri,
Esboço de Salvador Dali,
Obra consagrada.

Estende os braços
Quais cisnes no lago.
Não anda, tu plana.

Avança que nem balsa,
Deslizando a flor d’água,
Nem parecendo que passa.

                                        Fábio Murilo, 24.08.2018

sábado, 25 de agosto de 2018

Das Conquistas


O submisso torna-se um vicio,
Uma gosma, um lodo, o tempo todo.
Um chiclete mastigado, sem gosto.

Perde o fascínio do novo, o viço,
O acostumado, o que finda.

O eventual, o ocasional, ainda,
O que estica é o que mais fica.
  
Fábio Murilo, 08.05.2018

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Surreal


As horas que passamos juntos, a cumplicidade, não existe igual nesse mundo.
Você é aquele presente que desejávamos, mas não imaginávamos ganhar, por ser tão valioso. No entanto, chegaste inesperadamente como chuva alegrando o sertão. Regando a terra, que antes era seca, fazendo a semente florescer.

Quem diria, que você um dia ia chegar chegando, sem pedir licença, marcar hora, agendar, simplesmente entrando em minha vida, porta adentro. Diferente de tudo que já conhecia, imaginava, poderia supor, como se já morasse há anos dentro do meu coração, tal completa sintonia e imediata empatia.

Como um anjo, você veio para me iluminar, proteger, sorrir comigo...
Afável, amável, notável, improvável, sem igual, companhia ideal.
  
Parceria poética: Nanda Olliveh/ Fábio Murilo

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Encantamento


Minha paixão é um lírio perfumado,
Te cobre de cuidados, quer sempre a mão.
Involuntária e varia, é uma expressão.
Uma consequência, também inconsequência.
Sem juízo, sem noção, sem senão.
Se derrama, emana feito larva de vulcão.

É estúpida, eu sei, pro coração é que não.
"São seus olhos", me dizes,
Olhos que fincaram raízes,
Em teu solo, que passaram a olhar
Com outros olhos em tua direção.
  
Fábio Murilo, 30.05.2018