sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Poeta não é profissão, como engenheiro, advogado, médico, dentista arquiteto. Partindo desse prisma, a sociedade organizada fez questão de manter uma distancia critica do poeta ou põe o mesmo numa redoma de vidro, FOLCLORIZANDO (no sentido pejorativo) sua produção artística. Quando alguém se refere ao poeta os adjetivos são sempre no sentido de mostra-los como um ser distante da realidade social, um ser meditativo e alienado dos problemas da sociedade. “É um poeta...” dito por essa sociedade produtora de bens de consumo é sempre pejorativo.

Trata-se evidentemente de um preconceito contra a poesia, o poeta. Na realidade, o poeta é um operário da palavra (Cassiano Ricardo) que trabalha cotidianamente e por isso tem que ser encarado com um ser social. Por outro lado, o poeta, como ser social, tem que exercer fatalmente suas responsabilidades perante as injustiças sociais. Ele é um cidadão do seu tempo e não um distante ser nebuloso, perdido num BURACO NEGRO. O poeta tem que ter os pés no chão do real. Tem que se atolar na lama do cotidiano. O poeta Russo Maikóviski, por exemplo, fez da sua poesia um compromisso com a transformação social do seu pais. Tudo isso sem comprometer a qualidade indiscutível de sua obra. No Brasil, o poeta João Cabral de Melo Netto é um belo exemplo desse compromisso social. A poética de Cabral é essencialmente voltada para o cotidiano. Engajado na realidade social, o poeta tem que participar do momento histórico em que vive: vender e sobreviver com o produto da sua criatividade.

Há entre os poetas, versificadores de final de semana, parnasianos, debiloides que acham que o poeta não deve sujar-se com a realidade e que seu lugar é num certo nirvana, perto das estrelas. Não há nada mais ridículo. O lugar do poeta é na rua, pichando a parede do sistema.

(Dailor Varela (Jornalista e Poeta) – Livro Cadê a Justiça?)

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