sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Os Confrontos


Ridículo é morrer, fora isso, quase tudo é licito.
Tudo deve ser dito, teu grito a despencar do edifício,
A espantar o tédio e causar alarde às 6 da tarde.

Viver é a nossa sina, nosso destino, desatino.
Sofrer é uma possibilidade, doer após o exercício.
Sinal que surtiu efeito, aconteceu, foi concluído.

Ruim é o impasse, é não ter acontecido.
Por medo de sofrer, ter recuado, não ter arriscado.
Ficar só no que teria sido se tivesse tentado.
Receio das feridas se tivesse errado. Frustrado
Por não ter sido pleno, nessa vida mais ou menos.

Fábio Murilo, 07.11.2014

28 comentários:

  1. Boa tarde
    Fábio Murilo

    Maravilhoso, este teu texto.
    Bom fim de semana
    beijinhos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  2. Boa noite, Murilo.
    Creio que nada preso em nosso peito, palavras que não são libertas seja bom, mas também existe a questão do equilíbrio, pois nem sempre devemos falar tudo exatamente como queremos ou pensamos.
    Medo de sofrer não deve existir, uma vez que, estamos sujeitos ao sofrimento também, faz parte da nossa jornada.
    Logo, a omissão em viver não é nada saudável.
    Seja o que for, precisamos encarar de frente e crer que tudo dará certo, caso contrário, é a existência que nos testou, e devemos sempre seguir em frente nas vitórias ou derrotas.
    Ser intenso é o melhor modo de viver.
    Tenha um fim de semana de paz.
    Beijos na alma.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Analisou de uma forma muito madura e sensata, Pat. É isso. Obrigado.

      Excluir
  3. Poético, ponderado, realista. A poesia camuflada em teus versos revela extrema sensibilidade ao tocar nesta fria realidade, que nos leva a debater entre viver ou apenas existir, a refletir sobre a opção que a vida nos oferece, viver apesar dos pesares, pois os pesares também fazem parte do caminhar, contudo jamais permitir que estes travem a nossa existência, mas se tornam um aprendizado. Parabéns, amigo poeta!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa, a coerência em pessoa. Comentário extremante lucido e certeiro. A vida é pra ser vivida, não assistida. Devemos ser participantes, não ficar na janela olhando a banda passar, a toas na vida, rs... Obrigado, Lu.

      Excluir
  4. Muito bom , e gratificante estar aqui nesse Domingo.
    Todos os momentos vividos vale a pena,
    sejam bons ,
    outros nem tanto.
    E assim , que crescemos espiritualmente...
    Grande essa nossa amizade sempre com carinho ,
    amor , e acima de tudo respeito..
    Breve , muito breve..estaremos chegando a mais um Natal.
    Espero de coração poder comemorar ,
    e ainda poder contar com sua amizade.
    Minha vida teve varios altos , e baixo no decorrer desse
    ano.
    Porém , agradeço a Deus por ainda estar entre vocês.
    Não sei se soube retribuir seu carinho.
    O fato é , que mesmo distante nunca deixei de amar
    nenhuma dessas amizades , que Deus me abençoou
    nessa vida.
    Deus abençoe você sejas feliz sempre.
    Feliz Domingo.
    Beijos carinhos eternos..
    Evanir..
    Fabio seu poema me fez refletir e muito ,
    entre o momento e o depois.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que meu poema emocionou, fez refletir, cumpriu seu objetivo, sua missão. Obrigado, Evanir.

      Excluir
  5. Ridículo não é morrer, ridículo é morrer sem ter vivido, sem ter aproveitado a vida. Aproveitar a vida é não deixar para amanhã, é soltar todos os risos e gritos, é não ter medo de parecer ridículo. É arriscar, arriscar sempre. Melhor é tentar e errar, do que não ter atrevimento para tentar. Depois lambem-se as feridas se a decisão tiver dado para o torto, e recomeça-se tudo de novo, até que a inevitável morte nos apanhe na última curva do destino.
    Penso assim porque levei muito tempo da minha vida com medo. Hoje não tenho medo de nada, porque o meu tempo é precioso e cada vez mais escasso.
    Belo poema, Fábio! Vive, por favor, a vida em pleno.
    xx

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ridículo é morrer estupidamente como sempre acontece, tombar feito uma coisa, um saco de lixo. Ser humano essa máquina de fazer planos, sonhar, de repente, não mais. Todas pretensões, ânsia de amor, sonho de futuro, assim... Sem mais, nem menos. A vida é agora, nesse exato instante, o que tiver de ser está passando diante de nosso olhos. Obrigado, Laura

      Excluir
  6. Ridículo é morrer! Concordo. Também frustrante, dolorido, acachapante, decepcionante e se pensarmos muito dá uma ótima crise existencial! E a gente começa a perguntar tantas coisas, tantos os porquês, né Fábio? E o pior é que não temos as respostas. E se temos respostas, chegam mais perguntas.
    Mas penso um pouquinho diferente quanto à dizer tudo; penso que nem tudo devemos dizer. Assim evitaremos muitos desgostos. De que adiantariam lançarmos certas palavras se elas tem, e muito, um poder enorme de destruição? O que ganharíamos com isso?
    Bjus.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, concordo, Tais. É digo mais por força de expressão, tipo assim, o que disse: soltar um grito desesperado vindo do fundo das entranhas as 6 da tarde no centro da cidade na hora do "rush". Mas como uma libertação, uma auto-superação. Beijos.

      Excluir
  7. Uma dor escondida num grito de revolta, uma verdade a gritar dores que se acumulam na esquina do viver, verdades doídas, vidas desperdiçadas, caminhos obscuros que se camuflam nas madrugadas, mas que se querem lúcidos no clarão do dia. Viver implica nas dualidades, amigo! Naquilo que se quer/naquilo que se tem. Não existe nada que nos faça desejar/temer o caminho que trilhamos do que o defrontar das nossas impossibilidades, nosso pequenismo diante da grandiosidade que é viver. Mas não há como recuar, o jeito é seguir e tentar vencer as barreiras dos nossos temores.
    Teu poema enseja reflexões que, de outra forma, nos passariam despercebidas.
    Tua postagem de hoje, para além da verdade/beleza contida no poema, diz uma grande verdade.
    Que tua semana seja de sorrisos e estrelas e te possam trazer versos de maiores esperanças.
    Com carinho,
    Helena

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso, isso, isso, Helena, você disse tudo e mais um pouco. Nada mais a acrescentar. Obrigado.

      Excluir
  8. Mais ridículo que morrer é viver.
    É estar nesse mundo a procura de um sentido e nunca conseguir colocar os "pingos nos is". Mas já que fomos inseridos nesse grande espetáculo, nada podemos fazer se não atuar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa... Não tinha olhando por esse prisma. Interessantíssimo seu ponto de vista, "quem está na chuva é pra se molhar". Obrigado, Dani.

      Excluir
  9. Fábio, boa noite! Você não sabe como estava com saudades de sentar e receber um pouco de poesia, vim direto aqui, lugar certo! Esse fim de semana fiquei atarefada com as provas do Enem, um estresse gigantesco... Obrigada pela preocupação!!!


    Que profundo o teu poema - todos os teus são. Ridículo é morrer como diz na primeira estrofe, mas mais ainda é morrer com o temor do desconhecido, como na última: quantas interrogações para se levar para a outra dimensão...!

    Ótima semana para ti, desculpe não ter conseguido comentar antes, queria muito! Beijos!


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa Noite, Carol. Muito obrigado, muito gentil. Fui no seu blog e não vi atualizações, ai perguntei por você. Enem? Pois é, o Brasil parou. Não há o que desculpar, eu que agradeço a visita. beijos!

      Excluir
  10. Nunca gostei da vida mais ou menos.
    Aquela que é frape. Que não é quente nem fria,
    que não é uma coisa e nem outra.nem é preto nem é branco.
    Gosto das intensidades, dos mergulhos profundos, dos voos
    depois da nuvens.
    Muito legal seu texto.
    beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Garota! Que comentário inspirado, hein? Gostei! Beijos!

      Excluir
  11. r: muito obrigada!

    Muito forte este texto. Viver é tão diferente de existir...
    Gostei muito.

    Beijinho *

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, isso Maria. Há os que vivem e os que passam pela vida. Obrigado. Beijos!

      Excluir
  12. Como foi dito pela Maria, aí é que reside a grande diferença entre viver e sobreviver. Muitos passam pela vida como autômatos programados para seguir ordens e regras, para serem gris em meio a um mundo de cores tão vívidas... Apenas obedecendo, nunca questionando. Sem se importar com a vida por trás da vida, essas pessoas se distanciam da liberdade proporcionada pelo conhecimento e pela contemplação.

    Mais um reflexivo e inspirado poema Fábio ;-) Meus sinceros parabéns.

    P.S.: Eu te indiquei para uma Tag no meu blog, acredito que não seja do seu escopo, responder Tags no seu blog (nunca vi você fazer isso aqui), porém, de qualquer modo, fica um sinal da minha admiração enorme pelos seus textos. Seu blog foi um dos primeiros que comecei a acompanhar com gosto.


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Victor, sempre tão gentil, educado, também muito culto. Belíssimo comentário. Tags? Vou dar uma olhadinha Victor, obrigado pelos elogios a reciproca é verdadeira, pode acreditar.

      Excluir
  13. Indescritível meu caro amigo, Poeta!
    Que seja sempre alumiado teu inspirar-se.

    ... Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, amigo, desejo o mesmo pra você, muita inspiração.

      Excluir
  14. OI FÁBIO!
    NA VERDADEIRA VIDA, NÃO CABE MEIO TERMO, VIVER POR METADE.
    LINDO TEXTO, UM PRAZER LER.
    ABRÇS

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É mesmo, Zilani, viver inteiro, não pela metade. Obrigado.

      Excluir