sábado, 2 de junho de 2012

COLETIVO SUBURBANO

Nos ônibus, meus companheiros
São menos complicados: pensam
No almoço simples, nas mulheres,
No futebol e no chuveiro.

Eu, o suspeito; eu, a exceção
Dentro do carro, nessa linha:
Estou perdido, estou sozinho
E completamente perdido.

Bocejo na poltrona e só
Duas vezes me descortino
Diante da amada que, franzina,
Desconfia de meus propósitos.

Somente na minha janela,
No vidro fosco, transparecem
Garras de fumaça e de medo
Que fumegam no vale em viagem.

Ao menos lá no terminal
Deste ônibus existe Deus?
Impossível que não exista
E que existindo me abandone.

Alberto da Cunha Melo

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