sábado, 2 de junho de 2012

HEBDOMADÁRIO

Todos sem Deus, na expectativa
De que nossa felicidade
Virá na próxima semana,
Talvez no próximo navio.

Mas não ousamos anular
O meio século de vida
Que foi, de sete em sete dias,
Inocentes, nos devorando.

A sombra de algum edifício
Escureceu os nossos rostos
E o monstro do quotidiano
Nos cerca nas esquinas tristes.

Aos domingos tão esperados,
Estendemos o nosso sono
Além do tempo habitual
E despertamos muito tarde.

Tão tarde que todas as moças
Livres já estão no mar,
Tão tarde que a segunda-feira
Amarga já é pressentida.

Alberto da Cunha Melo

Nenhum comentário:

Postar um comentário