sábado, 18 de maio de 2013

Da Relativa Opção

Não, você não foi um objeto.
Digamos... uma bicicleta.
Onde eu considerasse a cor;
Ponderasse sobre a melhor marca;
Observasse a beleza e funcionalidade
De seu “design”;
Exercesse, enfim, meu direito
De livre consumidor.

O amor, frequentemente é um réptil:
Esquivo, sorrateiro,
Estranhamente arrebatador.

Fábio Murilo, 02.02.90

20 comentários:

  1. Oi Fabio,
    Desculpe a demora, estava viajando.
    Lindos versos.(falou de amor tem um pouquinho de mim, rs)
    O amor é sempre novo. Ele nunca envelhece porque é não-cumulativo, não-armazenador.
    O amor não conhece nenhum passado; é sempre fresco, tão fresco como as gotas de orvalho. Ele vive momento a momento, é atômico. Não tem nenhuma continuidade, não conhece nenhuma tradição. Cada momento ele morre e cada momento ele renasce novamente. É como a respiração, você inspira, você expira; de novo você inspira e expira. Você não o guarda dentro.
    Voce doa. Arrebatadoramente.

    Beijos

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    1. Você escreveu um poema, notou? Valeu Bandys!

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  2. Estranhamente arrebatador.
    Que nos prende, nos faz sonhar.

    Aaah o amor. rs
    Gostei do seu blog.
    Beijos

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    1. “Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor… é para isso que vivemos!”

      Pois é, foi o que disse no filme Sociedade dos Poetas Mortos, o Professor John Keating (Robin Williams) Dani.

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    1. A percepção, os conceitos, a forma de vivenciar esse sentimento muda com o tempo, com a idade, porém mantém sempre esse aspecto inquietante e surpreendente. Valeu Srª Nathalia.

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  4. Definição de amor bem simples e real.

    Abraços.

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  5. O Amor, palavra tao pesada, dificil de ser falada, se voce ponderar a especie. Alguns simplesmente a evocam quando, normalmente, querem remeter a existencia de uma simples paixao.

    Bela poesia

    *Eu adoro bicicletas

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    1. Arnaldo Jabor já escreveu que: “Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta”. E nisso eu concordo plenamente com ele, pois depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor? Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. - Elenilson Nascimento.

      Muito bem! Você foi ao cerne da questão. Escrevi a alguns anos atrás. O que amor? O que é paixão? Onde começa um, onde termina o outro. O que existe realmente, se é que existem realmente, ou subsistem. Dizem até que tudo não passa de uma reação química instintiva voltada só pra a procriação e manutenção da espécie. Como você falou é uma "palavra tão pesada", polemica, diversa. E você ainda gosta de bicicletas (rs...). "O amor é um truque da paixão", Emilio Santiago.

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  6. Para consumir o amor é preciso se permitir ser consumido.

    Bjos

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    1. Mas é uma consumação... (rs...). Valeu Larissa.

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  7. Fábio, o amor não é esquivo, sorrateiro, nem arrebatador. Estes adjetivos pertencem a uma classe mortal, a nós!

    E então tu és um romântico incurável? Dor de cotovelo eterna? Sabe, algumas vezes eu sou assim, uma doença não tratável, mas antes eu sou um consumidor e avalio os objetos (e também sou um objeto sendo visualizado)para depois deixar o sentimento estranho me dominar.

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    1. Nessa altura da vida sinto meio desconfortável ao tratar desse assunto, medo de ser um tanto quanto piegas. Mas não há como negá-lo, ele existe! Pois é, no fundo sou um romântico incorrigível, e conforme, foi comentado mais a cima, “... é pra isso que vivemos". Falando de amor carnal, continuamos amando conforme a idade, à medida de cada desilusão.

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  8. Bom dia, Fábio.
    Sabe que, cada vez que leio o título do teu blog, me vem um turbilhão de pensamentos, que por vezez não consigo acompanhar: penso a respeito de todas as coisas que estão morrendo - e não consigo contar quantas são!
    Mas no fim, acho que se resume a POESIA.
    Assim, escolheste muito bem o nome para o teu blog.
    A poesia como natureza,
    e a poesia como vida,
    como ser e como devir,
    como a beleza da vida,
    e a estética das estações - morrendo.

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    1. Bom dia amigo, também compartilho do seu desencanto, sofro também desse mal estar no mundo. Já respondei aqui mesmo a um comentário me reportando também a esse titulo, o qual surgiu de uma conversa com uma colega de trabalho cheia de poesia, mas cuja poesia morreu, lamentavelmente. E no meio da conversa eu fiz essa pergunta: - Será que a poesia morreu? Ai eu aproveitei como título, quando da criação do blog. E foi bem que também uma provocação esperando um retorno, feedback, como o que estou tendo agora. Hoje me mostro um pouco mais otimista, compõe-se muito, o que falta é público leitor, me referindo a poesia concebida na forma de livro, essa se não morreu, acho que está agonizando.

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  9. Eu sinto exatamente cada palavra desse poema no momento em que me perguntam: "Qual o seu tipo de garota?"

    Poxa, não tenho um tipo definido, pode ser loira, morena ou ruiva, alta ou baixa, o que me atrai não é um padrão, é o olhar, a troca de idéias e a energia. Pode ser perfeitamente linda, mas se não tiver um sorriso sincero de nada vale tamanha beleza; se não tiver boas conversas não me cativará; pode até rolar física, mas não rola química. E sem química não há reação.

    Diante disso, concordo plenamente com você, não somos bicicletas!

    Abraço

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    1. Poxa!!!... Dizer mais o que?... Não me atrevo a acrescentar nem mais uma vírgula.

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  10. Perfeito!

    Que prazer de ler uma mente que se difere de tantas outras!

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    1. Poxa! Obrigado Lisi. A gente fantasia a vida toda os estereótipos, os padrões de beleza dominantes, somos condicionados a isso. Padrões que não são absolutos, universais, nem em concursos de miss, que diferem de pais pra pais, que mudam com o tempo. Esses mecanismos da paixão, da atração, são misteriosos, e ainda existe a beleza interior, que não se descobre à primeira, mais, digamos assim, numa segunda vista, como no caso do poema em questão. Depois de um pate-papo despretensioso, num instante assim sem hora nem lugar marcados, o outro/outra desabrocha aos poucos, como uma rosa em afinidades e revela todo seu perfume, todo seu lume, e de uma hora prá outra, virá velho conhecido o que antes não era notado.

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