sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Desconforto



Os dias são tão comuns, são tão nenhuns, apenas são.
Vontade de quebrar a casca de rinoceronte das horas,
Nessa crise de inaptidão, nesse mal estar no mundo.
Na fuligem desses dias previsíveis, mortos em vida,
Da lesma se arrastando na superfície empoeirada do tempo,
Dos que inventam o que é direito, afeito a cada situação,
Dos ladrões de si próprios, adaptáveis, cotidianos suicidas,
Esperando o ano inteiro o recreio, o ópio do carnaval,
Pássaros acostumados pulando da gaiola pro viveiro.

 Fábio Murilo, 13.02.2014

40 comentários:

  1. Bom dia
    Maravilhoso poema...

    Bom sábado, beijo
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  2. Fábio, que inspiração maravilhosa...
    Adorei!!!!!!!
    Beijo!

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  3. Um texto sofrido, doído, verdadeiro!
    Uma imagem deprimente! A salvar apenas os pássaros a escaparem da prisão do peito...
    Que os dias de carnaval te cheguem, amigo, como a mim estão a chegar, oportunidade apenas de descansar em casa, ouvir uma boa música, ler um bom livro e aproveitar a companhia das pessoas que nos são tão caras e que conosco comungam os mesmos pensamentos de paz e alegria interior.
    Com carinho,
    Helena

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    1. É, estou passando o Carnaval mais ou menos assim, Helena. Obrigado pelas atenções e o carinho de sempre.

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  4. Realmente, os dias têm passado como se em branco. Sempre rezando para os dias passarem, nos esquecemos de viver o hoje como se fosse o último dos dias. Lembrei da palestra daquele professor de Filosofia da USP, que tu mostrou. Lindo poema.

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    1. Exato, Carolsinha, também penso assim. Obrigado.

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  5. Vivemos como se perdidos numa masmorra, sem luz e sem novidade.
    Os dias apenas são e se sucedem, e nós apenas existindo, tantas vezes descontentes ou conformados, não raras vezes, amorfos, encurralados em regras leis e rotinas decididas por outros. Nada se passa, apenas se passa.
    Como autómatos à espera de um Carnaval, como se este fosse o último refugio de nós próprios...
    Excelente a imagem do pássaro que salta de uma gaiola, não para uma suposta liberdade e alegria, mas para um viveiro de seres iguais, cuja prisão quotidiana apenas lhes permite uma suposta alegria.
    Excelente, Fábio!
    xx

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    1. Dizer mais o que, Laura, seu comentário somou. Ótimo!

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  6. vc é um grande ´poeta e sua inspiração
    é maravilhosa elogios pra vc

    Abraços com carinho de bom carnaval !!

    └──●► *Rita!!

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  7. Há quem trate a vida como uma morte lenta e horrível. Já fiz muito disso. Por vezes, ainda faço. E pior, em puro estado sóbrio.
    Fiquei bastante tempo olhando a imagem. Me dói um pouco, ao mesmo tempo que parece libertador. Não sei bem.
    O sentimento não é o mesmo, mas me surpreendi ao te ler/ver, por conta do meu último post.

    Abraço, Fábio!

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    1. Ah, a imagem, Simone... Fui lá conferir, realmente uma interessante coincidência. Beijos!

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  8. Olá, Fábio.

    Passei para lhe desejar, um dia de domingo agradável, e um tempo de Carnaval extraordinário.
    Um abraço.

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    1. Bom feriado prá você também, José Maria. Obrigado.

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  9. Olá Fábio!

    Todo o ser humano passa por esse tipo de sentimento, principalmente quando o conhecimento é superior àquilo que o corpo humano pode realizar.
    É como uma prisão da qual não nos conseguimos libertar.
    A imagem é perturbadoramente bem escolhida. Quanto a mim os pássaros que irrompem do coração, são tudo aquilo que a boca não sabe dizer, na densidade de um corpo incapaz de se elevar.
    Excelente texto ! E nunca te esqueças, que um dia alguém disse, que um ser inteligente, raramente seria feliz...
    Abraço e boa semana

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    1. Analisou de modo bem perspicaz, Cristina. Realmente a medida que vamos tomando consciência das coisas sofremos mais. Abraços!

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  10. "Os dias são tão comuns, são tão nenhuns, apenas são."

    Podia ter sido apenas isto que já era suficiente... Lindo!

    grande abraço, Fábio!

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  11. Muito bom! Me arrancou um sorriso no final, fechado com chave de ouro!
    "Cotidianos suicidas", bem colocado... Vivendo como máquinas, perdemos as cores da vida e suicidamos os sonhos...
    Ótimas palavras.
    Beijos

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    1. É isso, Lu. Exatamente. Obrigado pela visita, volte sempre.

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  12. Tanta lucidez, poética e não só, faz pensar muito. A imagem completa as palavras.

    Dias felizes:)

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  13. Essa imagem me deixa com uma sensação preponderante de desconforto Fábio, onde você conseguiu ela?

    Sobre o poema: Sensacional Fábio, é a tal ilusão de liberdade, somos animais como domésticos que gostariam de ser selvagens, porém acabam preferindo o conforto do viveiro.

    Genial, profundamente reflexivo e contundente!

    Abraço querido.

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    1. A imagem consegui com dona Net, Vitor, rs... Analise perfeita, como sempre. O obrigado pelas palavras elogiosas. Abraços!

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  14. Belo poema!
    Liberdade, o que é a tal liberdade quando vivemos regidos por regras? O que é liberdade quando se vive fazendo a vontade dos outros? Quando, por medo do novo, nos acomodados com o de sempre?
    Liberdade pra mim é poder viver sem dar satisfações, liberdade pra você pode ser outra coisa, pra Maria outra, algo relativo.

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    1. Belas considerações, Ariana, está coberta de razão. Obrigado.

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  15. Simplesmente lindo seu poema Fábio, que em especial no dia de hoje diz muito para mim...
    Cotidianos suicidas me "matam" muito, todos os dias...
    Abraços e parabéns!

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  16. Vou procurar esse texto sobre o ovo, deve ser super interessante, pois penso que o quão mais improvável seja o assunto, mais houve empenho para escrevê-lo rs.
    E essa da falta de inspiração ser uma inspiração foi ótima, quando a pessoa tem um dom não tem jeito rs.
    Que bom que gostou do título, sinto até vergonha de dizer que era nome de uma música de uma bandinha que eu gostava quando tinha 16 anos rs.
    E porque a poesia está morrendo?

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    1. É muito interessante, tu vai ver. João Cabral faz um verdadeiro malabarismo, hábil engenharia na construção do poema, a propósito ele era engenheiro, vê: http://www.releituras.com/joaocabral_oovo.asp. Pois é como eu disse, tava faltado inspiração tive a ideia de falar sobre, enganei ela, rs...: http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/2014/10/do-caos-primordial.html Gostei do titulo do seu blog, sim, diferente, original, chamativo. Quanto ao titulo do meu blog, é que tinha essa impressão quando o fiz, pelo menos da poesia escrita, vendida nas livrarias. Aqui no universo da Net, Blogs, etc.. Ela está mais viva do que nunca. Obrigado mais uma vez, Lu.

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  17. Que palavras verdadeiras, Fábio.
    Concordo plenamente com o pensamento que se reflete em seu poema.. De fato é lamentável o quanto nossas vidas, por vezes, tornam-se dolorosamente rotineiras e os dias passam abruptamente, sem ter uma verdadeira significação. E o pior é que muitos estão conformados a essa realidade, sem quaisquer motivação para libertar-se..
    Excelente reflexão!

    Um grande abraço

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    1. É mesmo, Vane. É uma camisa de força, um ciclo vicioso, uma pasmaceira. A vida passando e a gente assistindo da arquibancada. inertes nem mesmo um assomo. Motivação. Acho que é por ai, entusiasmo, um sonho, fazer a vida valer a pena, sempre. Obrigado, abraço!

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  18. Virgem Maria... mas é o mundo em decadência! E não é? Esse seu poema é só verdade, realmente é um desconforto, uma frustração, uma dor sem muita esperança.
    Lindo, Fábio. Lindo porque é verdadeiro, nada imaginado, é real. E assim caminha a humanidade...
    Beijo!

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    1. Pois é, Tais. Assim caminha a desumanidade. Beijos!

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  19. Poema inquietante, que me fez refletir sobre a obscuridade do cotidiano e as malezas de nós mesmos. Parabéns, Fábio!

    Conheça os blogs literários:
    O Poeta e a Madrugada (Contos e Poesia)
    Dark Dreams Project (Contos de suspense e terror)

    Abraços!

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    1. Obrigado, Dênis. Bela dissertação. Abraços!

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  20. A vida pesada se desfaz na sentença dos seus poemas, Fábio...
    As imagens que escolhes para acompanhar suas palavras, são sempre as mais certas.

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    1. Sinto-me sempre lisonjeado com os comentários de uma poetisa de qualidade feito tu. Obrigado, poetisa.

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