sexta-feira, 19 de abril de 2013

Questão de Privacidade

Chega em casa,
Em seu costumeiro percurso
De indiferença,
É um homem por demais sério.
Ascético, mostra-se reservado
Ao contato público,
E encarna o tipo
Perfeito cidadão.
Só pensa em si,
Quando muito nos seus.
E desconfiado
Até de sua própria sombra,
Se tranca em sua fortaleza
De altos muros 
E ferozes dobermanns
E só quer mais 
Que o mundo se dane.

Fábio Murilo, 23.09.90

15 comentários:

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    1. Triste personagem urbano, que somos todos nós, vitimas e algozes. Oscilando entre o justo desencanto e o egoísmo. Acho que, como em tudo na vida, o importante é usar o bom senso e evitar os excessos. Respeito suas razões de privacidade, guria. Obrigado,volte mais vezes.

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  2. desconfiados,
    ficamos
    trancafiados
    nos eus
    do nós.

    flores.

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    1. Sintetizou muito bem Vanessa, essencialmente é isso! São os traumas das sequelas urbanas, triste. Obrigado pela visita.

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  3. Ultimamente me vejo exatamente assim. E mais uma vez tenho que dizer que você escreve muito bem, Fábio, gostei muito daqui.

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    1. Sinais do tempo. Obrigado querida, Você é muito amável. Pode vir mais vezes, será sempre bem vida, encontrará um Poetamigo.

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  4. Lindos versos, revelam muito bem essa transição estranha que a humanidade vêm passando, o aumento do isolamento!
    Pessoas amontoadas em cima de pessoas nos prédios, nos carros entupindo a cidade sempre um motorista sozinho, nem olhares e sorrisos cordiais as pessoas tem se importado em trocar ultimamente, e temo que todos estejamos ficando assim fistantes, friamente urbanos nas urbes...
    Abraço!

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    1. "Nos eus do nós", como bem definiu Vanessa, com seu olhar clinico, você olha pelo lado de fora dos muros, com seus grampos e cercas eletrificadas, e se sente também violentado. Ótima analise Paulo!

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  5. Ola Fabio,
    Quem é muito serio se perde e não vive.
    Gosto da sua maneira de escrever.

    Pode me chamar de como vc se sentir melhor...
    Beijos e boa noite
    PS;tem uma poesia nova.. ☺

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    1. Olá garota dourada, o personagem do poema é um anti-social, não sou tão austero assim. Poesia nova? Passarei no seu esconderijo. Valeu Bandys!

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  6. Será que essa privacidade é somente para se defender,para não sofrer???
    Muito feliz com tua visita!!!!
    Bem vindo em meu blog e em meu coração!
    Estou te seguindo porque gostei do que vi e li.
    Tu acreditas mesmo que a poesia está morrendo???
    Te referes a poesia escrita,declamada?
    Essa talvez,não que esteja acabando, mas está caindo muito a qualidade...
    Agora, a poesia que encontramos na vida em geral,essa jamais morrerá!!!!
    Beijão...

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    1. Razões, questões, de quem tá aquém e além do muro. É, dama dos olhos azuis, em relação ao titulo indagador, vinha pensando nessa questão esses dias. Antes de criar esse blog, um dia questionava sobre isso com alguém no trabalho: será que a poesia está morrendo? Aproveitei quando da criação, e pus como titulo, também como meio que uma provocação. Hoje constato que, prá minha grata surpresa, a coisa não tá tão ruim assim não, que bom! O problema que há muitos poetas, porem se tratando de povo, de massa pensante, prá poucos leitores. Obrigado, olhos da cor do mar, pela visita.

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  7. Questão de segurança, acredito que também poderia ser. Já vi me coloquei cercado por muralhas para não ser atingido pelo externo, o problema é que, às vezes, até a gente mesmo é um perigo se colocado diante do espelho.

    Gostei do que escreveu.

    Um abraço, se cuida.

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    1. Eis a síntese democrática do poema! Obrigado João.

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