sexta-feira, 26 de abril de 2013

Na Falta de Assunto...

A monotonia nos vicia o cotidiano,
Como as pedras se viciam
No  lodo acumulado.
E o individuo acometido
Da síndrome do papel carbono,
Anseia com parabólicas orelhas,
Pela lógica da fofoca
Que sopra das vielas suburbanas,
Pelo que há de trágico
No noticiário das oito,
Pelo louco, que lhe redima,
Assaltando o supermercado da esquina.

Fábio, 14.04.98

16 comentários:

  1. Genial!
    A rotina, a monotonia da rotinda parece que comprime tudo, e todo dia parece o mesmo, uma máquina de escrever batendo as mesmas letras... Não lembro onde ouvi, mas ouvi que se acabou a aventura no mundo, tudo já está devidamente empacotado e entiquetado. Tlvz nem tanto, mas difícl é escapar da prensa do cotidiano, e do "individuo acometido da síndrome do papel carbono"
    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Será mesmo Renato que acabou a aventura do mundo? Não tinha pensado tão seriamente nisso, triste. A rotina, realmente, massifica tudo. "Ideologia eu quero uma prá viver". Obrigado, volte sempre com suas sábias explanações.

      Excluir
  2. "parabólicas orelhas"! que sagaz esta construção. beijos! [vc realmente escreveu isso em 1998?]

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado. Se eu escrevi em 1998? (foi um dia desses...) Espertinha, querendo saber minha idade? Escrevi, sagaz Sarah. Como diz Leo Jaime: "Nada mudou". Beijos!

      Excluir
  3. MEU EU BRASILEIRO

    quisera poder pensar
    como se faz no velho mundo
    eles me querem espelho
    como se não tivesse mistério
    essa minha falta de assunto


    Paulo Leminski

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E ai Fred, brasileiro de sobrenome, assuntando por essas bandas? Valeu a visita!

      Excluir
  4. Escreveu com uma bonita dramaticidade os acontecimentos corriqueiros dos nossos dias. Gostei disso. Além da poesia incontida, as palavras tem seu lado obscuro... Precisei ler duas vezes para encontrar. Demasiado inspirador.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Interessante o que você falou sobre "o lado obscuro das palavras", você que escreve também sabe o que estou dizendo, as imagens parecem tão claras, quando estão só nos seus domínios. Quando elas partem, ganham vida própria, quem as recolhe no caminho ficará marcado de uma maneira toda própria, cada uma terá sua impressão pessoal, segundo até seu estado de espírito, ai que está a beleza da poesia: Todos os caminhos são validos, você encontrou o seu, bom. Valeu Hellen a indispensável visita.

      Excluir
  5. Respondi lá o que estou trazendo aqui:
    FÁBIO,lindo...
    rsrsrsrs...ainda bem que te fiz babar...ksksksksksks...
    Se estivesses aqui por perto, juro que eu seria a coisa mais querida do mundo:
    Faria uma torta de abacaxi só para ti!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tem nada não, vejo duas vezes. E olhando depois, mas detidamente, não sei se o que vi mesmo foi Torta de Abacaxi, qualquer forma o quer que fosse parecia não, tava apetitoso, tantas iguarias! Foi seu aniversário? Na duvida, parabéns para ti, blue eyes! (rsrsrs...)

      Excluir
  6. Quero me viciar em tudo,
    menos na melancolia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A melancolia é fruto da monotonia, é inevitável. Valeu a colaboração.

      Excluir
  7. E é por isso que a poseia não morre,
    existe os viciados.

    Beijos Fabio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tive essa gratificante surpresa, Garota Dourada, tá mais viva do que nunca! E como todo vicio, é mais forte que a gente. Beijos!

      Excluir
  8. Síndrome do papel carbono. Adorei!

    Bjos

    ResponderExcluir