sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dizimo, Com Quem Tu Andas


Deus me livre do deus de gravata,
Do deus burocrata,
Do deus empreendedor,
Em vez do Deus do amor
E da caridade.

Deus me livre do deus formal,
Cheio de etiquetas e intransigente,
Dessa gente pior que ateu,
Que finge em acreditar em Deus.

Deus me livre do deus que cresceu,
E hoje, em vez da manjedoura,
Deita em reluzentes altares;
Em vez de burro, anda de Ferrari.

Do deus desses fariseus,
À sua imagem e semelhança:
Deus da ganância,
Do evangelho da prosperidade.

Fábio Murilo, 07.03.2010

11 comentários:

  1. Sempre com maravilhosos poemas! Parabéns Fábio, :-)

    Beijos bom fim de semana.
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  2. E que mudança tem esse deus..
    Diferente do nosso tão puro
    Bonito poema, e bela criatividade
    ao escrever
    Bjuss de boa noite
    Rita

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  3. Sim, o que se institucionaliza se corrompe.

    =)

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  4. Muito bom, Fábio, e os deuses corruptos e seus seguidores também existe. Tudo que é "+" é idolatrado pelos fracos. É, são os dízimos.
    Gostei e gostei!!
    Beijos!

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  5. Nossa, que poema crítico à hipocrisia de nossas pseudo religiosidades... A grande maioria não quer mesmo abandonar critérios mundanos, nem largar da bolsa de Judas onde trocam com muito gôsto, o Deus de Amor, por 30 moedas.

    Meu Olá
    =)

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  6. "Comercializar religião é melhor que vender droga"
    Fábio, a frase acima causou muita polêmica, tempos atrás, quando um pastor assim se manifestou numa de suas pregações.
    É inegável o poder que determinados "pastores" exercem sobre suas "ovelhas" quando induzem os fiéis a "comprar" os milagres apregoados. Infelizmente muitas religiões se descaracterizam daquele sentido de se obter bênçãos apenas através das orações e/ou dos bons hábitos de ajuda ao próximo, e da prática de uma generosidade dirigida a quem realmente dela necessitasse.
    Teu poema, meu querido, questionador/denunciador, vem mesmo a calhar nestes tempos em que os "Vendilhões do Templo" estão a explorar a boa vontade do povo.
    Que um sorriso ilumine sempre a tua alma, e que as estrelas possam enfeitar o teu olhar e perfumar teu coração.
    Helena

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  7. que poema!
    e eu também subscrevo, que Deus nos livre desse Deus.
    muito bem
    beijinho
    :)

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  8. Deus que nos livre, amém!
    Que belo grito poético, caro amigo, Fabio Murilo!
    Gostei muito e este é o meu clamor também.
    Um abraço e felizes dias.

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  9. Fábio,

    Excelente poema com a ironia feroz e eficiente
    para "estes proprietários" de Deus, que exploram
    toda a riqueza terrena e o pior tiram dos pobres
    o que eles não tem com a ilusão do paraíso dos
    seus dogmas perversos de ilusão de superioridade.
    Percebo que é um poema antigo e continua atual,
    infelizmente nada mudou, piorou.
    Abraço, Poeta!

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