sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Empatia


Com a gente não há excessos, exceto só de atenção.
A gente dá muito certo, nada é urgente, é calmo.
As palavras polidas, escolhidas, elaboradas, proferidas
Como num buquê de rosas ofertado, rosas escolhidas,
Cuidados que agrada a alma, a sensibilidade.

Tão perto, tão certo, tão à vontade, tão aproximados.
É tanta consideração, preocupação, disponibilidade,
Como se um do outro fosse extensão, metade,
Como as mãos que do mesmo corpo fazem parte.

Fábio Murilo, 29.09.2017

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Simples


Meu carinho lhe cerca de cuidados,
É um ninho, abrigo, um afago.
É uma compulsão, quando vê...

É um cego tateando no escuro,
Mãos que precedem o aspecto físico
E enxergam o inefável, invisível.

Como respirar, comer, beber...
Entender não faz nenhuma diferença,
É instintivo, age-se sem perceber.

Fábio Murilo, 23.07.2017

domingo, 16 de julho de 2017

Quando se Faz Toda Diferença


Eu te adoro de uma adoração infinda,
Adoro mais ainda na falta, precisão,
Quando em teu lugar só há intenção.
E qualquer atenção tua me fisga
Feito peixe que não comeu ainda
Nem ao menos um pedaço de pão
Que seria jogado pros pombos.

Nunca definitiva, pronta, acabada.
Sempre recomeçando feito olho d’água,
 Cano jorrando na rua, inesperado,
Roubando a atenção dos carros.

Fabio Murilo, 16.07.2017

domingo, 2 de julho de 2017

Saudoso


Hoje não tenho mais seu riso de guizo.
Seu mar não tá mais pra peixe.
Eu devia segurar minha onda, mas...
Gostar não tem botão de desligar, juízo. 
Gostar apenas é dedicação, veneração.
Não tem outra razão, um explicar.
Fica-se mal acostumado com afagos,
Carinhos, cuidados, agrados, apegado.

Que o asteroide, antes fulgurante,
Se desintegre, queimando, caindo.
Mergulhando com indiscreto assombro,
Saindo da atmosfera ao ventre da terra.
Do antes descomunal rochedo aquecido,
Agora, reduzido artefato, cratera, resíduos.

Fábio Murilo, 02.07.2017