sexta-feira, 14 de março de 2014


Não quero mais ser
Compreendido,
          Nem incompreendido,         
Nem mal interpretado.
Nem ecoado ser ouvido,
Não ser ouvido
Não tem mais importado.

Clamarei no deserto.
Falarei com as víboras,
Os escorpiões,
O areal inumerável,
As miragens imaginadas
Imitando água.
Com eventuais tuaregues,
Acostumado à solidão,
A longos solilóquios,
A vida nômade
Sem ter prá onde.

Fábio Murilo, 20.06.2013

48 comentários:

  1. O deserto está tantas vezes mais próximo do que parece estar... Pode chegar uma altura em que a compreensão ou incompreensão dos outros passa a ser algo secundário, já que nós próprios somos incapazes de nos compreender.
    O deserto ajudará ao menos a esse encontro a sós que por vezes precisamos ter com o mais íntimo de nós. A mais profunda solidão pode ser o início de um caminho que leve ao "ter prá onde".
    Vi agora mesmo num blog de um amigo esta citação que vem um pouco a propósito:
    "A vida torna-se mais fácil quando aprendemos a interpretar os silêncios, em vez de pedir respostas"
    Nem sei se citei bem, mas o sentido era este...:-)
    Belo poema, Fábio! Nós, e os nossos desertos...;-)
    xx

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dizer mais o que? Só meditar... Obrigado , Laura.

      Excluir
  2. Tantas vezes se está num deserto, apesar de tanta gente a volta, das tecnologias...mesmo assim não se é ouvido, visto, compreendido.
    Temos o dom de dificultar as coisas.
    Boa noite!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, Wall, solitariamente acompanhados. Obrigado.

      Excluir
  3. Murilo,

    Faço minhas palavras a de Laura Santos: "Pode chegar uma altura em que a compreensão ou incompreensão dos outros passa a ser algo secundário, já que nós próprios somos incapazes de nos compreender.
    O deserto ajudará ao menos a esse encontro a sós que por vezes precisamos ter com o mais íntimo de nós. A mais profunda solidão pode ser o início de um caminho que leve ao "ter prá onde"."

    És poeta, tens um verdadeiro sacerdócio e responsabilidade com o que dizes. Persevera.

    fraterno abraço
    Marcos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, nem sempre a solidão é solidão, é solitude. Obrigado, Marcos.

      Excluir
  4. E mesmo rodeados por milhares de grãos de areia, caminhamos sozinhos nesse deserto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Frequentemente, Dani. Bom seria que sempre nos bastássemos, mas...

      Excluir
  5. Muitas vezes, nos sentimos assim, incompreendidos e descrentes do ser humano, então, melhor é ficar sozinho por algum tempo.
    Fábio, beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As pessoas mudam. Não são boas, nem maus, necessariamente, são elas mesmas, gente. A gente que costumar idealizar, ver reflexos.

      Excluir
  6. Bom dia Fábio

    Poema muito bonito... Com uma foto fantástica.
    Precisamos de nos isolar no deserto de vez enquando.

    Beijos, tem um sábado feliz

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  7. Bom dia Fábio.. quando nos sentimos assim é pq baixamos nossa guarda.. não temos que entender como as coisas funcionam mas como funcionamos diante delas
    abração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito boa sua explanação, espiritualizado Samuel. Ótima colocação.

      Excluir
  8. Boa tarde

    A solidão nem sempre é triste nem tão só como se possa pensar. Por vezes precisamos dela a fim de nos encontrarmos a nós próprios. Gostei muito do poema.

    Bom fim de semana
    Cumprimentos
    **************************************
    http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Interessante o que disse Ricardo. Obrigado.

      Excluir
  9. O que nos gastamos para sermos compreendidos, entendidos, gostados, aplaudidos, amados... isso não é vida que se queira, que satisfaça. Que nos alegre.Sempre tem as contra-indicações ou os efeitos colaterais.
    Nunca senti que solidão fosse algo ruim, pelo contrário, nela nos encontramos e muitas vezes vemos que somos nossos melhores amigos. O máximo que pode nos acontecer é estarmos enganados, mas nunca ofendidos, não é um mal-querer. Você também gosta de aprofundar certos assuntos, hein!?
    Beijos, Fábio. Boa semana!!

    ResponderExcluir
  10. O melhor é ir pra dentro de si mesmo e fazer a viagem.
    faço isso de vez em quando e descubro coisas inimagináveis
    a meu respeito.
    Beijos

    ResponderExcluir
  11. Belissimo e intenso poema.
    Quantas vezes viajamos pela solidão da nossa alma, mas acredito que tentamos sempre não nos perdermos nessa longa caminhada.
    Beijinhos
    Maria

    ResponderExcluir
  12. Olá.
    Às vezes, o astral está lá embaixo. Finja que não é com você. Não se deixe cair. E se cair. Levante. Não se deixe vencer, nem pela tristeza e nem pela Saudade. Os laços afetivos hoje em dia, estam sempre mais distantes. E os amigos. Ora, os amigos. Que todos nós, tenhamos um dia de Domingo, bom. Agradável. Bom dia. Bom dia de domingo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, todos nos precisamos trabalhar isso, esse turbilhão, vendaval de emoções. Obrigado, José Maria.

      Excluir
  13. Boa tarde, Murilo. Chegamos em um ponto na nossa vida, que somente o encontro conosco mesmo nos satisfaz, é fato.
    O nosso caminhar solitário nos mostrará quem somos, em quem nos transformamos e no que precisamos ser.
    A nossa companhia nos basta, com nossos pensamentos, a fim de encontrarmos nessa trilha abnegada, o nosso eu interior.
    Tenha um domingo de paz!
    Beijos na alma!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, esse seria o ideal Pat, nos bastarmos. Bela explanação. Obrigado, beijos!

      Excluir
  14. Solidão, taí um termo que gosto muito, não sei se do sentido ou do termo mesmo...meu poeta Fábio Murilo, por onde ando ou andei a procura de mim mesmo, como Jesus no deserto, uma purificação, o encontro de um sentido para viver melhor e não ser engolido perla solidão. Eis-me aqui um ser só, mas cheio de vontade e atenção e sensibilidade para navegar e me encontrar em mais um poema teu. Os desertos da alma...(da minha).
    psCarinho respeito e abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, amável Jair. Obrigado como sempre pelas gentis palavras.

      Excluir
  15. Até mesmo o não desejo é um desejo do indesejável. Só mesmo com muita meditação para atingir o nada e o tudo ao mesmo tempo. Namastê!!

    Bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Profundo, Larissa. Reflexivo. Obrigado. Beijos!

      Excluir
  16. Fábio:palavras bem carregadas de sentimentos...a poesia..vive e revive sempre por aqui...abraços bem carinhosos

    ResponderExcluir
  17. fábio, os teus poemas me fisgam demais. todos são absolutamente incríveis.

    ResponderExcluir
  18. Vida de nômade... Sem apegos,sem rotina.São os desertos da vida que temos que enfrentar. Maravilhoso e poético,como sempre.
    http://luizadevaneios.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  19. Não sei mais como te elogiar, parece que qualquer palavra vai ser pouco para tamanha sensibilidade.
    Tu é demais, guri.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O que?! rs... Tu que é demais guria com tua escrita perfeita.

      Excluir
  20. Oi menino, não tem como não compreender vc parabéns poeta!
    Vc é um blogueiro que merece que eu venha aqui parabeniza-o pelo dia do blogueiro.
    Parabéns blogueiro!
    Bjss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parabéns a você também, Celia Lima, colega blogueira, pelo nosso dia! Beijos e obrigado pela lembrança.

      Excluir
  21. Parabéns pelo texto! simplesmente AMEI :)
    Beijo!

    ResponderExcluir
  22. Fábio hoje passo especialmente para desejar um Feliz Dia do Blogueiro.
    Beijinhos
    Maria

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô, muita gentileza Maria!!! Feliz dia do Blogueiro pra você também.

      Excluir
  23. Depende do que se vive, a melhor coisa ainda... é ser nômade. Pois assim carregaríamos na nossa bagagem muito pouca coisa, e o aprendizado nesse ir e vir é algo que nunca se esquece.
    Belas palavras
    .

    ResponderExcluir
  24. Às vezes, a solidão para mim tem um sabor agridoce. É um refúgio para descansar minha alma, busco estar só para pacificar o meu ser, é um porto no qual eu posso ancorar meu cansaço, desilusões, realizar profundas avaliação. Gosto dessa introspecção, desse contato íntimo com o meu interior. Porém, quando ela é presença constante, sufoca, isola, transfigura a poesia da vida. Adorei o teu poema. Os teus versos são um belo clamor poético, uma rebelião íntima, têm um toque revolucionário e questionador. Belíssimo, Fábio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa!!!.. rs... Que comentário!!! rs... Você escreve? Amiga, Lu. Senti muita intimidades com as letras. Fiquei impressionado. Muitíssimo obrigado.

      Excluir