sexta-feira, 6 de março de 2015

Depois de Tudo...


Estão tratando o homem velho
Como um bicho de jardim zoológico.
Um redivivo animal pré-histórico.
Um incurável moribundo.
Com toda pena do mundo.
Como um desajuizado menino
De cabelos brancos.

Jogaram o velho homem fora,
Como se fora um pacote de lixo.
Sentenciaram-no ao desprezo por inútil.
Entulharam no porão das coisas imprestáveis.
Subestimaram-lhe, inibiram-lhe...
E lhe deram uma cadeira de balanço,
Como prisão.

Fábio Murilo

42 comentários:

  1. Soturna realidade Fábio, que você captou com excelência por meio das suas palavras. Os idosos devem ser muito valorizados, pois são uma fonte abundante de conhecimento e experiência que pode ser muito útil aos jovens perdidos de agora.

    Parabéns amigo! Grande Abraço!

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    1. Falou com a autoridade de jovem super gente fina, educado e sensível. É isso mesmo, Vitor. Obrigado.

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  2. ... Infelizmente a realidade é essa,
    Os idosos são abandonados e até maltratados por pessoas sem um pingo de amor no coração. Algumas pessoas quando se tornam muito idosas, são como crianças, necessitam de cuidado, carinho e atenção... Mas nem sempre encontram esse alento.

    Muito interessante seu poema Fábio!

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    1. É isso que muito comumente acontece, Fê. As vezes são até jogados num asilo e esquecidos. Triste isso. Obrigado. Beijos!

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  3. Boam dia, Murilo.
    Na maioria das vezes, essa é a nossa grande realidade, infelizmente.
    Isso acaba começando nos lares ondes o idoso recebe mau tratamento como se fosse a escória, como se não tivesse sustentando seus familiares, estado presente.
    Hoje, quando é a vez dele de precisar, é ignorado
    Isso o é pela sociedade, pela saúde, pelo Governo de uma forma generalizada, a começar pala aposentadoria medíocre que recebe tendo contribuído com uma vida de trabalho.
    Salvo são os casos em que as famílias compreendem e amam os seus idosos e cuidam dele, tampouco o aprisionam.
    Meu avô tem 93 anos e é lúcido, livre. e todos aqui em casa cuidam dele.
    Claro que não somos perfeitos, mas temos de honrar a dádiva de termos um avô, o único idoso que nos sobrou, além do nosso padrasto, que também recebe cuidados igualmente.
    Todos os que desprezam os idosos, se um dia chegarem lá, quero ver como eles serão.
    Atitudes simples fazem uma diferença incrível: uma conversa, um pouco de atenção, o ceder o lugar no ônibus, enfim... respeito.
    Uma vez tinha um senhor no ônibus em pé, que eu vi, quando homens jovens sentados estavam.
    É um direito deles o assento, não só o preferencial.
    Será que as pessoas não têm consciência?
    Muito bom o seu poema, poderia eu ficar aqui um tempo imenso falando sobre, rs.
    Tenha um fim de semana de paz.
    Beijos na alma e parabéns.
    Andas numa fase poética divina!



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    1. Tenebroso esse cenário pro você traçado, triste. E o vô Dick, 93 anos de pura lucidez. Também, tão bem cuidado, tratado a pão de ló, rs... Ai! Vozão! Tá certo! Falou bem, todos ficarão idosos e não pensam nisso, isso é, se conseguirem. Poxa tá gostando das poesias?! Obrigado. Beijos!

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  4. Que tristeza quando o velho sábio é preso ou largado por mãos com o mesmo sangue e pelo mundo que ele ajudou a construir.
    Tuas palavras sempre tocam. Sempre!

    Bjo'o

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  5. Triste realidade querido Fábio.
    Você poetisou sabiamente.
    Um abraço e bom final de semana.

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    1. Sem duvida, Maria, triste realidade. Abraço.

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  6. Fico pensando em como a nossa geração envelhecerá.

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  7. O tempo não poupa ninguém... Muitos não não sabem que estamos todos no mesmo barco.
    Fábio, beijo e ótimo sábado!

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    1. É, Shirley. O tempo é inexorável em sua implacável passagem. "Não apita na curva, não espera ninguém. Obrigado e beijos!

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  8. E quando envelhecermos?
    Repetindo as palavras do Douglas, acima: "Fico pensando em como a nossa geração envelhecerá."
    Eu esperava que todos nós enxergássemos nosso futuro naquilo que negligenciamos tantas vezes.
    Tantas histórias a serem contadas que se perdem pelos caminhos da vida que conduzem ao desinteresse. Chato.

    Boa semana, Fábio!

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    1. Muito verdadeiro o que disse, Luria. Como diz Nelson Rodrigues: "Jovens, envelheçam" Obrigado.

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  9. Parece que há uma tendência forçada para a desagregação da Família.
    Notei isso quando lecionava, a falta de orientação familiar explodia na Escola, onde tínhamos de educar além de instruir.

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    1. Pois é, Marcos. Triste isso. Obrigado pela visita.

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  10. Poesia também é isso; ter consciência social, e servir de alerta, porque no fundo será um dia, se não morrermos entretanto, a nossa própria condição.
    Esta sociedade da "beleza" e do fitness, chutou para canto os velhos, donos de experiência de vida e de sabedoria. Como se a idade e as rugas, e certas fragilidades que surgem com a idade, fossem mais importantes do que um ser humano vivido e com imensas históricas para contar, e ensinar.
    Gostei muito. Os velhos seremos nós.
    xx

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    1. É. Dizer mais o que... Disse tudo. Obrigado, Laura.

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  11. Quando algum idoso puxa assunto comigo consigo perceber o quão carentes são em sua maioria, anseando que alguém queira ouvir pelo menos um pouco de tanta coisa vivida, de tanta experiência muitas vezes ignoradas pelas pessoas próximas... Tanto se falam de crianças carentes, mas poucos percebem os idosos que carecem de atenção também.
    Parabéns por essa ótima crítica poética.
    beijos.

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    1. "Tanto se falam de crianças carentes, mas poucos percebem os idosos que carecem de atenção também." Muito bom! Que tirocínio menina! Gostei! Beijos!

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  12. Fábio, por que você não colocou a data em que escreveu o poema?

    Sou sempre repetitiva quando venho aqui, dizendo que tu é magnífico e os teus poemas maravilhosos, mas é que realmente são.

    De que o mundo precisa? De mais olhares assim, como os teus, que enxergam nessa parcela tão valiosa da população uma carência, um pedido de socorro, um gesto de carinho, amor. E que mesmo em um poema tão profundo e, como tu mesmo disse, pesado, conseguiu passar da forma mais singela uma mensagem linda: nós precisamos passar a ter esse olhar que tu tem, precisamos dar mais amor.

    Parabéns pela sensibilidade e pela foto que foi de ótima escolha. Deu um toque todo especial para o poema. Olhares dizem mais do que palavras, mas estão competindo em pé de igualdade, foto e poema.

    Beijo carinhoso.

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    1. Poxa, bondade sua, Carol. Obrigado. Beijos!

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  13. Ao ler teu poema me lembrei de um episódio triste que aconteceu recentemente na cidade que moro. Dois rapazes deram carona pra um senhor cego de 86 anos e torturaram ele psicologicamente e ate o ameaçaram de morte.
    Ta faltando muito respeito e empatia. Sera que pessoas como do caso citado acima querem morrer novos? Sera que achariam bom se fizessem isso com os pais deles o avôs?
    Um sorriso e um bom dia para quem já viveu muito faz toda a diferença.
    Belo poema, como sempre!

    Beijos

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    1. Exato boa moça, Ariana. Bastaria "Ama ao próximo como a nós mesmos", porque isso é tão difícil pra esmagadora maioria. Simples seria viver assim, ai está a base de toda bondade de toda religiosidade. Beijos!

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  14. Boa tarde, Fábio

    Um idoso contribuiu com todo o seu esforço e amor para os filhos, netos e para a Nação, é um descaso o que fazem com os idosos. Lamentável. Ele tem que ser respeitado com qualquer cidadão que já deu toda sua contribuição.

    Gostei amigo!!
    Abç
    Nati

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    1. Apoiadíssimo, Uma! É isso mesmo. Obrigado!

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  15. Fábio, em países cuja o povo é culto, que têm outros valores, isso não acontece. É mais dos países pobres metidos à besta, como o nosso, por exemplo, No Japão, os idosos são quase idolatrados pela sabedoria que adquiriram. Onde há respeito, educação e cultura, é difícil ver o que você fala muito bem em versos. Aliás, comove. E temos de assistir certas barbáries com frequência pela televisão.
    Tanho uma pena enorme dos velhinhos, no fim de suas vidas, onde deveriam ter amor, cuidados, recebem isso... e olhe, não são só pobres! Conheço gente de grana que é tratada sem nenhuma consideração, e pelos filhos!
    Beijo!

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    1. Triste isso, Tais. Interessante citar essa questão cultural. Obrigado. Beijos!

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  16. Muito bom, Fábio! Me fez lembrar de um poema que escrevi há algum tempo retratando a velhice:

    TALHADOS NO TEMPO

    Das mãos, cheias de calos,
    Floresce a história do seu trabalho
    Escorre-lhe o suor sagrado
    Dos dias talhados no tempo

    No rosto, cheio de marcas,
    Sinais das batalhas de outrora
    Não como estas de agora
    Que a compreensão ignora
    Mas como já fizera antes
    Nos tempos de tantas amantes

    Da voz, já quase inaudível,
    Ouve-se palavras amigas
    Embora um tanto sofridas
    Pelas quedas da vida

    No peito, cheio de compaixão,
    Um coração ressoa vacilante
    Não como ressoava antes
    Nos tempos de tantas amantes
    Mas como ressoa agora
    O coração vacilante.

    A poesia é, talvez, a forma mais sensível e doce de conscientizar as pessoas sobre os valores universais do homem. Parabéns, poeta, gosto muito do seu trabalho.

    Meus blogs literários:
    O Poeta e a Madrugada (Contos e Poesia)
    Dark Dreams Project (Contos de suspense e terror)

    Abraços!

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    1. Ótimo, Dênis Girotto, seu poema. Concordo com o que disse sobre o que sobre a poesia, muito bem pensado. Abraços!

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  17. Já me questionei quanto a velhice, mas só entendi que velho é um estado de espirito e a nossa matéria infelizmente é o reflexo de um caos. Reflexivo isso...

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    1. Conclusão Madura, Nanda. Obrigado pela visita.

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  18. Nossa que linda poesia! ( e a foto que ilustra o post também )
    Essa é uma dura realidade da vida de muitas pessoas ao envelhecerem...infelizmente...
    Bjus Fábio

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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    1. É, isso é triste, Lilly. Muito triste. Obrigado, Beijos!

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  19. " Sentenciaram-no ao desprezo por inútil./ Entulharam no porão das coisas imprestáveis./ Subestimaram-lhe, inibiram-lhe.../ E lhe deram uma cadeira de balanço,/ Como prisão." Adorei estes crueles versos.

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  20. Soneto-pastiche
    Ao velho

    Quando se abandona o homem na velhice
    Como objeto de museu ou um cão vira lata
    É como se o arquivo humano se destruísse
    Numa burra e mesmo energúmena bravata.

    Vê a sociedade no pobre velho, um menino
    Talvez irresponsável, até impúbere também
    Sem que esta lhe atribua seriedade, imagino
    De cabelos brancos e pele enrugada porém.

    Como animal deslocado que não tem nicho
    O velho descartado é carta fora do baralho
    O qual é ignorado, dele se fala em cochicho
    So lhe davam valor quando curtia o trabalho.

    Deve ser horrível ser tratado como um bicho
    Nesta estrada da velhice que não tem atalho.

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    1. Obrigado pelo comentário/soneto. Jair. Perfeito!

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  21. Acróstico

    Aos grandes poetas de tempos idos
    Poetas que escreveram belas letras
    Onde havia nos versos algum sentido
    E quando criar poemas não era treta.

    Só que agora a poesia é moribunda
    Insistem poetar os medíocres apenas
    Assim na lírica, mediocridade inunda
    E as criações tornaram-se pequenas.

    Sem saber fazer, até eu versos faço
    Tentando ser um simulacro de vate
    Átimo de talento nem sequer o traço
    Minimamente umas rimas pois retrate.

    Ora, quando falecer essa tal poesia
    Riremos do que, me pergunto então
    Riso, alumbramento e mesmo alegria
    Encontrarão o fim, para o buraco vão.

    Nessa estrada triste, nessa triste via
    Dores, contrariedades e males virão
    Ou agora apenas a existência vazia.

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    1. Que legal, Jair, obrigado. Seu talento e domínio da métrica é impressionante. Parabéns e obrigado.

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