sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Do Caos Primordial


Fastio imenso, falta de motivação,
Outono da existência, até quando?
Ausência de plano, desesperação.
Pássaro engaiolado olhando a amplidão.
Leito vazio de rio, chuva que não vem,
Coisa autônoma que não se doma,
Que não se lança mão, alazão arredio.
 
O processo criativo é lenitivo, é drama,
É uma luta armada com o invisível.
É vício, parto difícil, oficio vão.
Em noite de insônia, lutar com o sono
É a melhor maneira de não dormir.
Adular a inspiração, também, é enfado,
Cão a perseguir o próprio rabo.
 
Fábio Murilo, 31.11.2014
 

34 comentários:

  1. Instigante, forte, cutucador seu poetar caro Fabio Murilo, sempre colocando o coração, a alma em desafios.
    Adoreiiiiii!
    Um abraço.

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    1. Obrigado pelas gentis colocações, Maria Teresa.

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  2. Bom dia Fábio Murilo

    Belo poema, gostei da tua inspiração.

    Tem um bom sábado
    Beijos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. Não existe ano que não tenha outono, não existe vida que não tenha lá suas fases ruins, suas primaveras sem flor, Fábio. Mas a melhor maneira de vê-las passarem rápido é exatamente essa, colocando-as para fora em versos, doses homeopáticas de poesia e convenhamos, você faz isso muito bem!

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  4. Caro Fábio, você captou com extrema competência o processo tortuoso e desgastante que é a escrita, às vezes a inspiração, como uma criança teimosa, não quer colaborar e precisamos ter paciência para que não atropelemos nossas palavras e elas irrompam naturalmente. Sempre quando acho que vou ser rápido para escrever meus textos, acabo levando muito mais tempo do que imaginava. Não é nada fácil, mas realmente cada segundo, imerso nessa jornada, vale a pena.
    Como sempre, um exímio poema.

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    1. Como sempre com excelentes comentários, somou. Obrigado, Victor.

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  5. Boa tarde poeta..
    muito bem escrito..
    tb vejo muito do que tu disse..
    os dias de hj estão um caos.. para os que querem ficar conectados a ele..
    a gente ainda tem a poesia para fazer uma bela fuga não é..
    abraços

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    1. Oi, poetamigo. É mesmo. Muito bem observado. Obrigado.

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  6. Muito bom Fábio! Resumiu tudo o ofício de nós, poetas!
    Grande abraço, sucesso e ótimo final de semana!

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    1. Que bom, Marcos, que tenha conseguido. Obrigado.

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  7. Desse caos primordial nasce tantas vezes a criação. Um esbracejamento do qual nada parecemos conseguir captar, em que tudo parece escapar por entre as mãos. A criação será sempre essa luta com o que não vemos, e pressentimos, no entanto insistir desesperadamente na tentativa de captação dos sinais que nos possam inspirar, pode ser contudo o caminho para a desinspiração.
    Não adianta perseguir a criação, ela virá pé ante pé, e quando menos esperamos , sentar-se ao nosso lado.
    A importância de estar distraído; " Sentir é estar distraído" F. Pessoa
    Magnífico poema, Fábio!
    Bom fim de semana!
    xx

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    1. Magnifico comentario, Laura. É exatamente assim, somou, reforçou o sentido. Obrigado.

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  8. Falta de motivação é algo que cerca á todos, principalmente e infelizmente quem escreve. Como sempre utilizou as palavras de uma forma única.
    Muito bom o poema. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  9. Isso tudo acontece muitas vezes, é o vazio a preencher nossa mente..
    Gostei muito , Fábio.
    Grande abraço!

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    1. É mesmo Shirley, "o vazio a preencher nossa mente" interessante o que disse. Obrigado.

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    1. Obrigado, Garota. Boa semana pra ti também. Beijos!

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  11. Oi Fábio...demorei um pouquinho..mais vim retribuir o carinho em minha postagem de recomeço...estamos aí recomeçando todos os dias.Até quando o outono da vida?todos nós temos esta fase de transição..o importante é sobreviver..que cada perda possa parecer um ganho...que estejamos prontos para receber outras estações também...que venha o verão;;cheio de luz!no nosso coração..Amei teu poema...e me deu vontade de te deixar esta mensagem aqui..um abraço!boa semana1

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    1. Oi, Sandrinha. Seja sempre bem vinda, a hora que for, obrigado.

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  12. Bah, Fábio, sem ideia, defronte uma folha em branco... é a sina de quem se propõe a deixar escrito um pouquinho de si. Mas vejo isso com naturalidade, embora também com certa inquietação. Parece uma cobrança, uma obrigação que assumimos conosco. Mas esperando um pouco, tudo toma novamente o seu caminho e a inspiração vem. E tão linda como li aqui, falando dela própria! Até a falta de inspiração, inspira...
    bjus, você escreve como sempre...

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    1. Poxa, certeira! Foi o que aconteceu. Queria fazer um poema, tava sem inspiração, ai resolvi escrever sobre isso, que é o que tinha nas mãos, a falta de inspiração, deu nisso, rs... Obrigado Tais, Beijos!

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  13. Soneto-acróstico

    Porquanto há um imenso fastio
    Existência no outono entra pois
    Rabo próprio como um vasto rio
    Se nenhuma vida existe a dois.

    Então outro pássaro engaiolado?
    Graça aos céus por enquanto não
    Um dia inspiração sai de seu lado
    Invertendo seu rumo de motivação.

    Raia o sol depois de uma insônia
    Outro dia como qualquer anterior
    Respeitemos a maior parcimônia.

    A chuva trouxe umidade e bolor
    Basta dessa tal volátil cerimônia
    Ouvi somente o gestual do amor.

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    1. Uauuuu!!!!!!!!! Muito bom, Jairclopes. É logo um soneto! Amigo, tu é craque, gostei! Obrigado.

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  14. Por quantas e tantas vezes já passei por este fastio!!! Perdi as contas...e quanto mais damos importância a esse momento de deserto, mais ele cresce... =** Bjs moço..boa semana

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  15. e a gente segue nessa linha. nessa confusão!

    dentrodabolh.blogspot.com

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    1. Exato. Nesse caldo criativo, acrescentaria. Obrigado.

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  16. E do silêncio das ideias mornas do poeta surgem rios de letras que formam palavras alagadas por onde escorrem frases deslizantes e um novo rio se forma, por onde os leitores nadam, causando uma correnteza de novas inspirações.

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    1. Poxa, adorei o comentario super inspirado! Obrigado, Rosa Matos.

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  17. Respostas
    1. É. Tava sem inspiração e escrevi sobre a falta inspiração. Obrigado, Ana.

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