sexta-feira, 10 de julho de 2015

Um Pássaro Voa


A negra fragata passa voando
Em pleno perímetro urbano,
Num dia atípico, sol a pino,
Típico inverno nordestino.

Sobre sonâmbulos smartphones,
Filas de bancos, ponto de ônibus.
Mesas de bares, ébrio sorrisos.
Gente apressada, preocupada.
Cidadãos ansiosos, depressivos.
Esbarrando-se no asfalto.
Aglomerado sem rumo,
Povo desinteressante, igual.
Inexpressivos mortos-vivos.

Prisioneiros do imediatismo,
Do presente instante, apáticos,
Nem ao menos um assomo.
Contando os dias, as horas, 
O final de semana, do mês,
Do ano, sempre esperando.
Assistindo pelos telejornais
Noticias sazonais, abruptas,
De terremotos, vulcões ativos,
Tsunamis, 11 de setembro,
Meteoro que cai na Rússia...
Despertando-os, pelo menos,
Num átimo de  tempo,
Do torpor cotidiano.

Fábio Murilo, 07.07.2015

34 comentários:

  1. Fantástico poema!! Parabéns Fábio.

    Bom fim de semana. Beijos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  2. Maravilhoso! Compartilho com o eu-lírico o sentimento de que, infelizmente, resido em meio a milhares de seres indiferentes, rasos e imediatistas, controlados pela tecnologia (e por desejos que mal sabem de onde vêm) e alimentados pelo pessimismo que louvam.

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    1. Ótima analise/comentário, Larissa. Somou! Seja bem vinda!

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  3. Muito lindo poema Fábio!!! Parabéns!!
    Tenhas um lindo fim de semana!!!
    Beijos

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  4. É uma loucura o que se vive em cidades grandes, mas aqui o povo também deu de andar na rua olhando e alisando telefone.

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    1. É, Marcos, há um exagero. Se usados moderadamente, é uma comodidade como outra qualquer. Obrigado.

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  5. Olá, Fábio, como vai? Criou-se uma cultura do "piloto automático", onde as pessoas parecem viver somente para contar o tempo passando sem vivê-lo, sem sorver a beleza que há na vida. Abraços!

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    1. Ótimo comentário Bia. Acrescentou. Obrigado.

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  6. Excelente poema, Fábio!..Amei

    Tenha uma excelente semana.
    Beijos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  7. Belo poema, Fábio, no qual você retrata a vida, o cansaço, a alienação das pessoas, que jamais erguem os olhos para ver a lua, o pôr do sol, os pássaros...
    Gostei muito, amigo!
    Beijo!

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    1. Isso mesmo, Shirley, absorveu direitinho a essência do poema. Beijos!

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  8. Olá Fábio,

    Quem dera esta negra fragata voasse mais vezes pelo perímetro urbano para forçar o desligamento, ainda que temporário, de tudo que envolve e distrai o ser humano , provocando-lhes um torpor que lhes rouba o verdadeiro encanto da vida. A realidade dos nossos dias foi muito bem retratada e poetizada por você.

    Abraço.

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    1. Quem dera, Vera. Essa negra fragata foi real e descrevi o espaço de indiferença, ao redor. Imagine você uma ave marinha, provavelmente oriunda da ilha de Fernando de Noronha, muito pouco improvável, e o povo nem ai, só eu levantei e acompanhei embevecido, seu surpreendente voo. Abraço.

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  9. E quantos pássaros voam sobre nós e não percebemos...
    Abraço, Murilo!

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    1. Exato, Anderson. Nem nos damos conta que tudo pode acabar nua queda de meteoro. Abraços!

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  10. Onde estão os pássaros, o homem matou, pelo ao menos aqui com os canaviais querendo entrar dentro da pequena cidade. Poesias, causos sentados à noite na calçada não há mais, pois a bandidagem cá chegou e tivemos que gradear tudo.
    Aqui não tem tsunami, água só saciar a sede, rios secando e chuva em silêncio.
    Uma linda noite para você.
    Beijos no coração

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  11. A realidade despercebida transformada em poesia. Poesia do cotidiano. Minha preferida!

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    1. Também gosto muito desse pano de fundo urbano, Cabi. Beijos!

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  12. Eu sou o passaro. Desapego e liberdade.
    bom dia, moço

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  13. Belíssima construção poética, Fábio.. Contempla de forma sutil uma faceta da triste realidade de nosso mundo contemporâneo.. Suas palavras sempre nos levam a refletir. Gostei bastante!

    Um grande abraço..

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  14. Boa tarde caro Fábio..
    perfeita composição assim como tb já me meti a fazer e falar do que vemos..
    tá meio deprimente essa era tecnológica..
    e o bicho do mato sou eu depois rsrs
    como ouço das pessoas por não ter celular rsrs
    abraços poeta

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    1. Pois é. Celular ata que eu tenho. Prá falar e ouvir. Quase que não ligo, e recebo ligação, coisa mais rara do mundo. Abraços! Mas, tudo usado com moderação é utilíssimo e pratico.

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  15. Boa noite, Murilo.
    Pois é, Murilo.
    Vivemos em um mundo mais do que mecanizado, onde a essência humana parece ter-se perdido e muito.
    As pessoas estão ficando mais individualistas e isso não faz bem algum.
    Que consigamos viver no mundo contemporâneo sem deixar de sermos nós mesmos, atenciosos e não mergulhados em mares nada efificantes.
    Na vida tudo deveria para somar e não dividir.
    Tenha uma noite de paz.
    Beijos na alma.

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  16. A humanidade precisa evoluir muito pra sermos considerados humanos, se é que me entende.
    Belo poema!

    Beijo

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    1. Entendi perfeitamente, escritora, bela frase de efeito. Beijos!

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  17. Muito bonito, forte, e continuaremos assim, fúteis e a vida efêmera... E parece que ninguém pensa.
    Beijo!

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