sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Desencanto


Já não se escrevem mais  poemas,
Escreve-se memorandos e ofícios;
Já não se tem mais apreço,
Tem-se um preço, um custo;
Já não há mais relacionamentos,
Há um pacto, um contrato;
Já não se tem mais amor,
Tem-se um caso, um passatempo;
Já não somos mais humanidade,
Somos um aglomerado, um agrupamento.

Fábio Murilo

41 comentários:

  1. Bom dia Fábio... palavras que mostram o que esta acontecendo realmente.. tudo tem pequenos contratos. principalmente no amor.. mas a poesia esta ainda existem seres de alma fazendo ela.. abração amigo

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    1. Pois é Samuel, mundo maquinal e mercantilizado esse. Essa poesia, embora sem data, como costumo colocar, é "antiguinha", rs...umas das primeiras. nessa época não tinha acesso a esse maravilhoso mundo da blogosfera e não conhecia pessoas talentosas como você. Obrigado.

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  2. Boa tarde Fábio Murilo

    Poesia linda... bem reflexiva ..Gostei"

    Bom fim de semana.

    beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. Muito belo poema, Fábio.
    A chamada evolução humana tem vindo a ser alicerçada no conhecimento e não na sabedoria. Saber é ver e experimentar, reflectir sobre o conhecimento e gostar ou não, o que exige sinceridade. Mas a sinceridade é rara porque todos os dias , desde que se nasce, a sociedade obriga as pessoas a fazer coisas que não gostam, como o trabalho e a sobrevivência em cidades desumanizadas, nas quais existe o imperialismo da dinheiro e das aparências. Tudo isto acaba por tornar os relacionamentos meros contratos de conveniência social.
    Quem vive encaixotado e com a vida totalmente programada só pode sentir desencanto.
    Mas a poesia ainda ocasionalmente respira; na tua voz, na minha e em muitos outros. Não que nos sirva de muito, mas pelo menos permite-nos manter à tona.
    xx

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    1. "Quem faz um poema abre uma janela.
      Respira, tu que estás numa cela abafada,
      esse ar que entra por ela".

      Perfeita, Laura!

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  4. Desculpe , mas não acredito nisso.
    E nem que eu seja a ultima a acreditar que existe amor, carinho,
    e atenção já esta bom.
    beijos menino
    Força, Foco e Fé

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    1. Calma menina, eu também acredito, não quis dizer isso, força de expressão! Falei que: "Já não se tem mais amor, tem-se um caso, um passatempo" "Os ficares" sem compromisso, sem aprofundar a relação, não é amor, é atração física unicamente, é um arranjo conveniente. Engana-se quem tenta negar a fome, a sede, a respiração, o amor e outras necessidades básicas da existência. "Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores". Beijos!

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  5. Bela obra, Fábio!
    Perfeita do início ao fim, resumiu tudo em poucas palavras!
    Grande abraço e sucesso!

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    1. Obrigado Evandro, poesia é isso, síntese. Sucesso também.

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  6. Tenho o enorme prazer em convidar a todos vocês blogueiros para a votação do top Blogueiro na Ilha da Lindalva e sua presença dará um brilho especial a essa interação blogueira, cujo o verdadeiro sentido é não deixar fenecer a blogosfera. Conheçam todos os blogs participantes antes de votarem.
    O meu blog tbm esta participando entre outros. Mas convido a todos a entrar e interagir com todos os blogs, e votarem no que mais lhes agradarem...e não na amizade.Fique a vontade.

    http://anos-da-ilha.blogspot.com.br/

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  7. Boa Noite ..
    Querido amigo eu li no seu blog uma grande e triste realidade
    hoje fico até triste me perguntando.
    Onde estará o poeta que fala de amor com a lua?
    Quase sempre deparo com com cada poema que
    deixa balançando meu coração.
    Eu aprovo você questionar meu amigo.
    Gosto do seu poema em palavras e versos de entendimento
    és um excelente poeta.
    Feliz Domingo abraços.
    Evanir.

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    1. Obrigado, sempre gentil Evanir. Bom domingo pra você também, muita paz.

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  8. Que bom descobrir um poeta que faz renascer a poesia...sempre.
    ABRAÇO BEM CARINHOSO

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    1. Bom é ter você por aqui, Lia. Obrigado pelas palavras elogiosas.

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  9. Sim, custo e benefício, hoje é moda. Sabe, Fábio, gosto de seus poemas porque trazem uma mensagem da realidade, pura, simples, como ela é. Muitas coisas já viraram regras, outras ainda são exceções. Mas existe em grande escala. Embora as pessoas levam para o lado pessoal, vejo seus poemas como realidade. Você sempre 'manda' dentro de uma coerência impressionante: pega na raiz!
    Beijos.

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    1. Obrigado, doce amiga Tais Luso. Sempre amável.

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  10. Acho curioso e intrigante quado o poeta diz que não há mais poemas, mas está na verdade escrevendo um deles. Poderia dizer que é metaforicamente contraditório, um paradigma que reforça o sentido de que ainda há pessoas que discordam do pensamento corrente, o qual rege a sociedade contemporânea. E que bom que ainda restam alguns de nós.

    Grande abraço!

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    1. Gosto de tu, Sena. Sempre autentico.

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    2. Você nunca tá em cena rs... Responde sempre com o singelo Pseudônimo de "Mente Hiperativa". rs...

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  11. Que belas palavras!.. mais um poema grandioso que nos leva a refletir.
    É fato que, enquanto caminhamos em direção ao futuro e ao progresso, as relações humanas estão cada vez mais superficiais.

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    1. Introspectiva e elegante Vane. Pois é, tudo que disse é verdade, tudo anda tão apressando, tudo é tão descartável.

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  12. Bom dia, Murilo. Está tudo tão frio e morto hoje em dia, que o que era para ter vida em abundância em palavras, cores e almas, passa longe demais do que deveria ser.
    Não precisamos aceitar a realidade que vimos nessa sociedade morta.
    Podemos e devemos começar em nós, dentro dos nossos pensamentos, ideias de vida, uma concepção diferente, ainda que os memorandos, os contratos, os preços e os passatempos existam e cresçam de uma forma desmedida.
    Nós podemos fazer a diferença no amor, na sociedade e na poesia!
    Que nasça de nós seres iluminados que encantem e vivifiquem o que aos nossos olhos parece não ter mais solução!
    Parabéns!
    Excelente semana de paz!
    Beijos na alma!

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    1. Oi Patricia, como diz Renato Russo, "o mundo anda tão complicado". Beijos!

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  13. É amigo infelizmente relatou uma verdade.

    Aqueles que ainda estão aquecidos pelo amor que possam alimentá- lo.
    Aqueles que ainda tem valores, que possam zelar por eles.

    Beijos !

    Fernanda Oliveira

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    1. Pois é, Fernanda, poetisa romântica, o amor nunca morrerá. Maltratado, desvirtuado, sufocado por vezes, mas sempre a ressurgir puro e imaculado. Beijos!

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  14. Belo e melancólico retrato dos tempos atuais meu amigo! Mas, sempre há uma faísca de esperança de que o amor não é uma lembrança ou uma quimera de outros tempos. Há uma beleza escondida em cada superfície humana de conveniências e regras, ou pelo menos, ouvi dizer que há.

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    1. "Há uma beleza escondida em cada superfície humana de conveniências e regras", muito bom! No fundo fomos uns românticos incorrigíveis. Obrigado Victor.

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    2. Pois é Fábio! Essa é nossa maior virtude, mas também nosso maior defeito.

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  15. Mas eu não mudei. Valorizo super o que agora não encanta mais ninguém..só a mim e meus pensamentos.

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  16. Teu poema consegue ser uma verdade que ofende...
    Continue escrevendo verdades, estarei sempre por aqui, até pelas mentiras mais poéticas.

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    1. Tudo que disse foi profundo e poético. Obrigado, Guria.

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  17. Acho que essa sensação de desencanto é coletiva, e muito verdadeira.

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    1. É verdade Gabriela, estamos todos no mesmo barco furado. Obrigado.

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  18. O poeta tem uma percepção diferente dos demais. Isto que descreve no teu poema, nada mais é do que a realidade vista por olhos de poeta. Adorei!

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