sexta-feira, 5 de setembro de 2014

À Evidente Beleza


A beleza externa é efêmera.
Breve como os cometas,
Leve e frágil como pluma,
Como bruma na manhã,
Como o afã de viver.
Sabe que tudo passa, é fugaz,
Mesmo assim é graça,
Por enquanto, alvorecer.
Flash, reflexo, espanto,
A seduzir olhares perplexos
Capturados pelo encanto.

À beleza externa, no entanto,
Que importa se um dia
Será melancolia, saudade,
Amarelada no retrato.
Sortilégio, obra do acaso,
Privilégio, supérfluo,
Irrecuperável ao perecer.
É bonita por não ser eterna,
É eterna quando se vê.

Fábio Murilo, 05.09.2014

42 comentários:

  1. Bonita por não ser eterna,

    Eterna quando se vê.

    Murilo só esse final já da pra ver
    como é belo seu poema eu amei

    Abraços de bom final de semana

    _______Rita!!!

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    1. Obrigado, Rita. Gentil como sempre, uma dama.

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  2. Lindo, lindo, lindo... e carrega uma mensagem muito importante para os dias atuais. Caprichou, hein! Abraço!

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    1. Obrigado, Guriazinha, pelo entusiasmado comentário. Abraço!

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  3. Consigo perceber a profundidade do teu poema quando o vejo com o tamanho do empenho com qual foi escrito, com a doçura, até mesmo o capricho como citou a Nanda...
    Não sei se sua poesia possui apenas uma dona, mas os teus poemas são sempre assim, profundos, descrevem a beleza e a pureza que só olhos realmente privilegiados podem enxergar. Parabéns, Fábio, como sempre um lindo poema para alegrar-nos o fim de semana.
    Ótima noite!

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    1. Sempre com inspiradores comentários, Carol. Grato!

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  4. Bom dia Fábio
    Linda poesia, adorei

    Beijos e um sábado feliz

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  5. Toda a beleza do corpo é efémera, porque toda a beleza mortal tem prazo. Todos nós ficamos essa imagem amarelecida no retrato, que aos poucos lentamente se torna antiga e fora do tempo. E é bom aceitar que seja assim; que a nossa pele envelheça e o brilho dos nossos olhos não seja o mesmo,na juventude e na velhice.
    Belo poema, Fábio, e a imagem é encantadora.
    xx

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    1. É mesmo... Mas, não seria bom que a gente continuasse a envelhecer cronologicamente porém com a carinha e vigor dos 20 anos. E não tivéssemos doenças pela vida afora, nem uma dorzinha de cabeça que seja. Um dia qualquer depois dos 100 anos, só então, apagaríamos feito lâmpadas no meio de uma brincadeira, uma conversa banal, jogando futebol... Rs. Obrigado, Laura.

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    2. Pois é, Fábio, o problema não são as rugas, mas o que elas trazem como pacote suplementar, as doenças, a dor, a solidão, tantas vezes.
      Seria melhor simplesmente apagar,de facto.
      xx

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  6. Fábio,

    Os dois últimos versos estão inspirados.

    :)
    Marcos

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    1. Interessante o processo da inspiração. Esse poema tava compondo, no finalzinho faltando esses versos para concluir, os versos mais importante que fecham com chave de ouro, como você sonetista de mão cheia deve saber, alguém me chamou para prosear, prosa boa, inadiável, deixei a poesia pra depois. Fui dormir e no dia seguinte antes de trabalhar levei uma copia comigo. Na sala de espera de uma clinica no outro dia, então, foi que terminei esses últimos versos. Valeu, tudo deu certo. Obrigado, Marcos.

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  7. Boa nite, Fábio. Toda beleza é realmente passageira e sua intensidade não ultrapassa a derme, mas o que importa é o momento em que nos encontramos com ela seja nas coisas mais simples, no olhar que temos de algo ou de alguém, mas o que interessa de fato é termos a consciência que o belo vem antes de qualquer coisa de dentro de nós.
    Parabéns.
    Tenha um fim de semana de paz.
    Beijos na alma.

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    1. Feliz comentário, Patricia, muito lucido. Obrigado. Beijos!

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  8. O que mais se escuta sobre a beleza física é que ela é efêmera. Certo. E como seu tempo é curto! Com os anos vamos descobrindo que a delicadeza, a amabilidade, a simpatia e outros nobres sentimentos não são efêmeros, duram enquanto houver vida; cativam até o último suspiro. É o que vale e a lembrança que fica, não Fábio?

    Lindo e inspirado poema!
    Beijo!

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    1. Tudo no seu tempo, teu seu encantamento, Tais Luso, cumpre um proposito. Obrigado. Beijos!

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  9. Bom dia Fábio.. bem o que penso tb e estou com um titulo na cabeça chamado beleza vazia.. para tentar abordar tal tema.. logo farei esta poesia..
    temos que fazer as pessoas acordarem para a beleza real e não superficial.. abraços poeta

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    1. Oi, amigo Samuel. Mas... Respeitando escalas de "valores" e proporcionalidades, tudo tem sua importância, considero, seu porque no tempo e o espaço. Tudo se preta a um proposito. Abraços.

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  10. Tudo que é belo é irretocável. Como o poeta e sua poesia
    quando nasce encontra a sua fonte de imaginação.
    São pequenos pontinhos de luz que brilham
    na sua inspiração.E com um sopro vão pra outra vibração.
    Bela poesia, a imagem é de uma doçura contagiante.
    Beijos garoto! Bom domingo.

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  11. Que lindo, meu amigo poeta! Um retrato fiel da beleza exterior que tanto alvoroça os sentidos, seduz, embriaga, mas inegavelmente é transitória, contudo você ameniza sua fugacidade com intensa poesia, enaltecendo seu poder de se eternizar mesmo que seja com brevidade. Parabéns!

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    1. Captou com exatidão a ideia geral do texto, Lu. Sabemos que a beleza física é fugaz, mas, acho hipócrita certas opiniões, tipo, “Gaiola bonita não alimenta passarinho”, “Beleza não se põe a mesa” Prefiro o “Beleza está nos olhos de quem vê”, acho mais flexível e honesto ou como sentenciou Fernando Pessoa: “A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão”. Obrigado!

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  12. Muito bom! Perfeito!
    Parabéns pela inspiração, Fábio!

    Boa semana! Beijos

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  13. Boa tarde, mais uma criação de um belo poema com uma mensagem profunda.
    AG
    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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  14. A beleza está justamente no que há de mais efêmero...

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    1. Exato. Também pensei assim. O efêmero é composto da matéria dos sonhos. Obrigado, Gabriela.

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  15. Ainda não tinha visto um poema como este, em altos elogios à beleza externa. Aliás, quando se fala em beleza externa pensamos logo no seu contraponto: a beleza interna, tão elogiada e tão propagada. Pensa-se logo que deve ser mais fácil criar-se um poema falando sobre ela.
    Estou divagando... o intuito é dizer que tiveste um precioso momento de inspiração na criação de tão belo poema. Soubeste traduzir em delicados versos tudo aquilo que a beleza externa inspira e ainda nos presenteaste com uma bela e terna imagem! Parabéns por este poema tão doce quanto verdadeiro! Ninguém resiste à verdade contida nestes últimos versos:
    "É bonita por não ser eterna,
    É eterna quando se vê."
    Parabéns, poeta! Gostei muito do teu cantinho onde se sente que a poesia resolveu fazer um ninho.
    Deixo-te sorrisos e estrelas, com meu carinho e admiração,
    Helena

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    1. Bingo! Foste no cerne da questão! Certeira! Existe certo preconceito, percebo, quando se fala da beleza física. Ninguém tem culpa de ter um rosto, um corpo bonito. Ou melhor, esse conceito de beleza varia culturalmente entre os povos e países e através do tempo. Tem até coisas consideradas ridículas hoje que foi considerada bela noutros tempos, algum tempo atrás, a ultima moda, a moda dita e edita. É verdade que há extremos, a ditadura da beleza, a quem se torne fútil, cruel, inútil, uma embalagem vazia. A beleza interior é mais consistente, concordo, também se conquista, e como, com inteligência, um bom papo, um jeito diferenciado, particularmente, essas peculiaridades, me encantam. Adoro pessoas originais, que se sobressaem do comum, que tem a coragem de expor suas opiniões, de serem elas próprias. Mas considero como dois momentos distintos, as duas belezas, vamos dizer assim, injusto compararmos, mensurar, é como discutir o sexo dos anjos. A beleza física é um momento incomum, um belo acontecimento, embora fugaz, tem sua importância própria no tempo e no espaço, se presta a uma finalidade, enfeita esse mundo triste, cinzento e carrancudo, de olhares hostis e ameaçadores. Penso assim, Helena, obrigado.

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  16. Um adendo ao comentário anterior:
    Enquanto existirem poetas como tu, de sensibilidade tão aflorada, tão dinâmica e tão terna, a poesia não morrerá nunca!

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    1. Ah, você é muito gentil e amável! Obrigadíssimo! Apareça mais vezes! Somou.

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  17. Boa tarde, a beleza externa é momentaneamente, enquanto a interna é continua, ambas são valorizadas e apreciadas no modo que entendermos.
    Poema fantástico que nos faz reflectir.
    AG

    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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    1. É, cada coisa no seu tempo. Cada idade com sua verdade. Obrigado, amigo.

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